O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aplicou uma multa de R$ 50 mil ao influenciador bolsonarista Allan dos Santos, por violar decisões anteriores da Corte ao participar de uma transmissão ao vivo em um canal do YouTube. A penalidade foi determinada após o blogueiro ter participado de um programa intitulado “Lula incha o Estado e o STF persegue os brasileiros, é a ditadura da toga”, exibido no dia 1º de julho pelo canal Conversa Timeline.
No despacho, Moraes ressaltou que já havia ordenado o bloqueio de perfis mantidos por Allan em diversas plataformas — incluindo Telegram, YouTube, Instagram, X (antigo Twitter), TikTok, OnlyFans e Rumble — como parte de medidas cautelares. Para o magistrado, o blogueiro continua utilizando essas redes como meios de promover ataques contra instituições do Estado, como o próprio STF, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Senado Federal e suas respectivas autoridades.
O ministro lembrou que, em abril, havia fixado uma multa diária de R$ 15 mil pelo não cumprimento das ordens judiciais. Diante da reincidência, evidenciada pela nova participação na live, Moraes impôs a penalidade adicional de R$ 50 mil, estendendo a responsabilidade também aos responsáveis pelo canal Conversa Timeline.
No documento, Moraes reafirmou que “liberdade de expressão não é liberdade de agressão”, e complementou dizendo que esse direito não pode ser usado como instrumento para deslegitimar a democracia, atacar instituições ou violar a dignidade de outras pessoas.
Desde 2020, Allan dos Santos vive nos Estados Unidos, onde se encontra foragido da Justiça brasileira. Apesar de ser alvo de um mandado de prisão e de um pedido de extradição emitidos por Moraes em 2021, o influenciador continua a contornar bloqueios, criando novos perfis e canais nas redes sociais — que acabam sendo derrubados em seguida. As acusações contra ele incluem envolvimento com organização criminosa, crimes contra a honra, incitação ao crime e lavagem de dinheiro.