BYD se coloca como ‘meteoro’ e chama GM, VW, Stellantis e Toyota de ‘dinossauros’

Depois dos presidentes de General Motors, Volkswagen, Stellantis e Toyota divulgarem carta assinada por todos eles e enviada ao presidente Lula, a BYD publicou sua resposta. A carta, que não é assinada por um representante, mas sim pela própria empresa, chama as fabricantes instaladas no Brasil de dinossauros. E a atuação da BYD seria o meteoro.

O embate se dá pela iminência da análise do pedido de incentivos à montagem local de carros importados semidesmontados (SKD) e desmontados (CKD), solicitado pela BYD há alguns meses. A fabricante chinesa pede alíquotas de imposto de importação diferenciadas para carros híbridos e elétricos até o final de junho de 2028.

A pauta será analisada em uma reunião extraordinária do Comitê Executivo de Gestão, da Câmara de Comércio Exterior (Gecex-Camex), nesta quarta-feira (30). O pedido da BYD é para que a alíquota de importação seja fixada em 10% para os SKD e 5% para o CKD até 30 de junho de 2028, para todos os casos (automóveis e picapes elétricas ou PHEV).

Fábrica da BYD em Camaçari (BA)
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) começará a funcionar montando carros importados semidesmontadosDivulgação/BYD

Em sua carta, a BYD rebate uma categorização como “concorrência desleal”. “Porque nada é mais desleal do que alguém jogar o jogo — e ganhar. Nada mais injusto do que montar um carro no Brasil sob o regime autorizado pelo governo, com data marcada para nacionalizar a produção, e ainda assim entregar um produto que as “locais” não conseguem nem sonhar em oferecer”, diz.

A fabricante chinesa reforça que o pedido de redução do imposto é temporário, por não ver sentido em ver o mesmo nível de tributação aplicado a carros importados prontos ser aplicado a carros que serão montados no Brasil “com geração de empregos locais, movimentação da cadeia logística e pagamento de encargos”. A partir de julho de 2026, os kits SKD e CKD de híbrido e elétricos pagarão os mesmos 35% de imposto de importação dos carros importados prontos.

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Anteriormente, as outras fabricantes alegaram que este incentivo abalaria o ciclo de fortalecimento da indústria nacional e que o processo de montagem de carros no Brasil com peças importadas não será uma etapa de transição, mas um padrão que a BYD consolidaria no futuro em uma prática que afetaria a demanda de autopeças e mão de obra no futuro.

“Ao contrário do que querem fazer crer, a importação de conjuntos de partes e peças não será uma etapa de transição para um novo modelo de industrialização, mas representará um padrão operacional que tenderá a se consolidar e prevalecer, reduzindo a abrangência do processo produtivo nacional e, consequentemente, o valor agregado e o nível’e geração de empregos.

Por uma questão de isonomia e busca de competitividade, essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra. Seria uma forte involução, que em nada contribuiria para o nível tecnológico de nossa indústria, para a inovação ou para a engenharia nacional. Representaria, na verdade, um legado de desemprego, desequilíbrio da balança comercial e dependência tecnológica”, diz a carta assinada pelos presidentes de GM, VW, Stellantis e Toyota.

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A Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA) também se posicionou, se dizendo preocupada “quanto à ausência de proposições concretas das empresas pleiteantes em desenvolver a engenharia brasileira e, por consequência, a localização efetiva da produção, quando – em realidade – o País precisa incentivar a  formação de técnicos e engenheiros, cenário que somente é possível com a atratividade do desenvolvimento local”. 

“A reação da Anfavea e seus associados, infelizmente, não é novidade. Trata-se do velho roteiro de sempre: diante de qualquer sinal de abertura de mercado ou inovação, surgem as ameaças de demissões em massa, fechamento de fábricas e o fim do mundo como conhecemos. É uma espécie de chantagem emocional com verniz corporativo, repetida há décadas pelos barões da indústria para proteger um modelo de negócio que deixou o consumidor brasileiro como último da fila da modernidade.”, diz a empresa chinesa.

Em janeiro, 25 fabricantes representadas pela Anfavea encaminharam pedido de averiguação de prática de dumping contra empresas chinesas ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). O dumping se caracteriza quando produtos são vendidos a preços inferiores ao custo de produção, prática que pode prejudicar a competitividade e o equilíbrio do mercado local.

A BYD ainda diz que o incômodo das outras fabricantes está relacionado à perda de protagonismo com a sua entrada no mercado, oferecendo mais e cobrando menos. “Agora, chega uma empresa chinesa que acelera fábrica, baixa preço e coloca carro elétrico na garagem da classe média, e os dinossauros surtam”, diz.

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Fato é que, mesmo com a retomada gradual do imposto de importação para carros híbridos e elétricos, a maioria dos carros da BYD nunca estiveram tão baratos como agora, pois quase todos são vendidos com grandes descontos e incentivos. Mesmo o preço de tabela dos BYD é mais baixo do que o preço dos carros equivalentes das outras fabricantes.

Você pode conferir a íntegra de todas as notas, na ordem de publicação, aqui.

Pedido da BYD ao governo prevê uso de peças nacionais

QUATRO RODAS teve acesso à íntegra do pedido de redução do imposto para SKD e CKD enviado pela BYD ao governo. No documento, a fabricante apresenta um cronograma para a nacionalização de componentes dos carros, que poderiam ter etapa de montagem final no Brasil ou serem fornecidos por empresas locais.

BYD SKD
Esquema mostra como é um kit SKD da BYD, em documento enviado ao governoMDIC/Reprodução

Para 2025, sistema de propulsão, motor elétrico, motor híbrido, estrutura da carroceria e bateria poderiam ter alguma etapa executada no Brasil. A BYD fala, inclusive, em executar a montagem da bateria na sua fábrica em Camaçari (BA). O processo seria de montar as células importadas na estrutura da bateria, como já faz em Manaus (AM) com as baterias dos seus ônibus.

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Em 2026, escapamento, teto solar, bancos e chassi poderiam ser nacionalizados e em 2027, chaparia, forro do teto, carpete, farol e módulo de gerenciamento do motor (ECU) não viriam nos kits.

A fabricante chinesa também se compromete a encerrar o processo de SKD após no máximo 18 meses, avançando para o CKD. Também diz que a partir de então começaria a avançar para a produção completa no Brasil, mas sem estabelecer um prazo para que isto aconteça.

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