A postura adotada por Filipe Luís à frente do Flamengo tem deixado claro que o ex-lateral está determinado a seguir uma linha firme e direta na condução da equipe. Sua forma de lidar com os jogadores tem sido marcada por falas objetivas, cobrança intensa e decisões que impactam até nomes de destaque e alto custo no elenco.
Mesmo estando no início da carreira como técnico, Filipe já conquistou três títulos importantes pelo clube e demonstra traços de liderança aprendidos com dois grandes treinadores com quem trabalhou durante a carreira de jogador: Jorge Jesus e Diego Simeone.
A experiência com Simeone no Atlético de Madrid deixou marcas profundas. O argentino é conhecido por sua exigência nos treinamentos e pela intensidade no dia a dia, algo que Filipe incorporou em sua rotina. Já com Jorge Jesus, a convivência foi mais curta, mas intensa, marcada por uma relação de respeito mútuo e por uma condução rígida do grupo, sem distinções.
Em entrevistas anteriores, Filipe já relatou casos em que Jorge Jesus confrontava abertamente jogadores como Arão, Rodinei e Rafinha, sempre exigindo comprometimento máximo, independentemente do histórico ou prestígio do atleta. Essas atitudes, segundo Filipe, ajudavam a conquistar o grupo, que percebia o tratamento igualitário entre todos.
Hoje, como técnico, Filipe replica essa filosofia. Um exemplo claro foi sua recente declaração sobre Pedro, atacante que já disputou Copa do Mundo. Sem rodeios, ele afirmou que “ninguém vive de passado, o futebol se conquista diariamente”.
A ideia de dedicação total aos treinos também faz parte do modelo que adotou. “Transmito aos meus jogadores que não permito relaxamento. Essa cultura de treino eu aprendi com Simeone, ele mudou minha vida”, declarou em uma entrevista em novembro de 2024.
Desde que assumiu o comando, Filipe precisou gerir um grupo com o qual já havia convivido como jogador. Mesmo assim, deixa claro que não oferece vantagens a ninguém. “Não dou nada de graça”, costuma dizer, reforçando que o desempenho nos treinos e nos jogos é o critério principal para escalar o time.
Ele também se diferencia do antecessor Tite por adotar uma comunicação mais direta nas entrevistas. Recentemente, ao comentar a saída de Alcaraz do clube, Filipe assumiu a responsabilidade: “Sinto que foi um fracasso meu. Com o investimento feito, era uma preocupação”.
A respeito de Lorran, foi igualmente objetivo: “Tem jogadores em melhor momento. Não posso tirar quem está voando para colocar quem não está bem”.
Casos como o afastamento de Gabigol em 2024 ocorreram por decisão da diretoria, após o jogador comunicar que não renovaria contrato ainda dentro de campo. Com Pedro, no entanto, a situação é diferente. Trata-se da crise mais tensa na relação entre técnico e jogador desde que Filipe assumiu a equipe. Nesta quarta-feira (16), contra o Santos, o atacante sequer será relacionado para o banco. Filipe mantém sua decisão, alegando que o comportamento do atleta “beirou o ridículo”.