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Em discurso, Lula diz que Brasil pode ter presidente eleito quatro vezes

Por Brasil Direto

Durante um evento oficial na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aproveitou a ocasião para fazer acenos políticos, comentar as tensões com o Congresso Nacional e reforçar que seu governo está longe de ter chegado ao fim. Diante de uma plateia composta por ministros, técnicos da Petrobras e convidados, o presidente deixou claro que pretende manter protagonismo político e insinuou uma possível candidatura à reeleição em 2026.

Lula afirmou que, apesar de algumas leituras precipitadas sugerirem que sua administração perdeu força, ainda restam um ano e meio de mandato pela frente e que há planos em curso. Ele afirmou acreditar que, se tudo caminhar conforme pretende, o Brasil poderá ter, pela primeira vez, um presidente eleito quatro vezes.

Ao comentar o clima de tensão com o Congresso, Lula minimizou os conflitos e preferiu destacar que a maioria das propostas enviadas ao Legislativo foi aprovada. Ele classificou a relação com os parlamentares como positiva e expressou gratidão, enfatizando que cerca de 99% das matérias do governo receberam sinal verde do Parlamento. Para ele, divergências são naturais e abrem espaço para o diálogo e a negociação.

Durante o mesmo evento, o presidente reforçou o discurso do governo sobre justiça tributária, que vem ganhando espaço nas falas oficiais nas últimas semanas. Ele reclamou das dificuldades enfrentadas para promover mudanças no sistema de impostos, argumentando que o país foi, por muito tempo, administrado em benefício de uma parcela restrita da população. Na visão de Lula, governar para todos é mais exigente, demandando sacrifício, sensibilidade e esforço contínuo.

O presidente lamentou também a resistência de grupos privilegiados em abrir mão de benefícios históricos. Como exemplo, mencionou sua proposta de isenção de imposto de renda para quem recebe até R$ 5 mil. Segundo ele, o objetivo inicial era contemplar trabalhadores que ganham até cinco salários mínimos, mas a medida precisou ser ajustada para uma faixa menor.

Enquanto Lula discursava, o cenário político ganhava um novo capítulo: o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, havia suspendido decretos do Executivo que tratavam de mudanças no Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A decisão também afetou um projeto aprovado pelo Congresso que revogava a iniciativa do governo. Com a liminar, mantêm-se as alíquotas anteriores ao aumento promovido pela gestão. Moraes ainda marcou uma audiência de conciliação entre os poderes para o dia 15, reunindo representantes do Executivo, Legislativo, Ministério Público e Advocacia-Geral da União, antes de decidir se mantém ou não sua decisão.

De volta ao palanque, Lula também destacou os dados positivos da economia sob sua gestão. Apontou a queda no desemprego e a elevação da renda como indicativos de recuperação. No entanto, não deixou de criticar a atual política de juros, sugerindo que a condução do Banco Central, sob o comando de Roberto Campos Neto, herdou uma postura exagerada de alta nas taxas — o que, segundo ele, levará tempo para ser revertido.

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou os posicionamentos do presidente. Ele elogiou o esforço de Lula em buscar uma política de tarifas e tributos mais justa, ressaltando o desejo do governo de aliviar a carga sobre os mais pobres e corrigir distorções que beneficiam setores com desonerações que considera desnecessárias. Silveira ainda fez um apelo para que o Congresso colabore na construção de um novo modelo de país.

O evento teve como foco o anúncio de um pacote de investimentos da Petrobras e da Braskem que soma R$ 33 bilhões até 2029. Os recursos serão destinados à ampliação das unidades de refino, com estimativa de geração de 38 mil empregos. Estiveram presentes, além do presidente e do ministro Silveira, a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, e o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.

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