Governo de Portugal retira sexualidade do currículo obrigatório nas escolas

Anteriormente, essas temáticas faziam parte do segundo grupo de prioridade da grade curricular

As autoridades portuguesas decidiram alterar as diretrizes da disciplina Cidadania e Desenvolvimento, oferecida nas escolas do país, excluindo a obrigatoriedade de abordar temas ligados à sexualidade e saúde sexual. A proposta de mudança, anunciada pelo Ministério da Educação, será submetida à consulta pública até o dia 1º de agosto, conforme divulgado pelo jornal Público nesta segunda-feira (21).

Anteriormente, essas temáticas faziam parte do segundo grupo de prioridade da grade curricular, segundo o portal Notícias ao Minuto. Desde sua implementação, em 2017, o programa previa que os assuntos relacionados à diversidade sexual, direitos sexuais e reprodutivos fossem discutidos em ao menos dois dos ciclos do ensino básico. A ideia era incentivar o respeito às diferenças de orientação sexual e promover a compreensão sobre a pluralidade nas expressões de gênero e sexualidade.

Com a reformulação, no entanto, a palavra “sexualidade” deixa de aparecer nos conteúdos propostos. Os temas relacionados à orientação sexual e identidade de gênero aparecem apenas de forma indireta, dentro de um tópico mais amplo que trata de direitos humanos. A nova orientação é que os professores analisem episódios históricos e contemporâneos de violações desses direitos — entre eles, violência de gênero, tráfico de pessoas, abusos sexuais e discriminação contra pessoas LGBTQIA+.

De acordo com a nova versão apresentada pelo ministro Fernando Alexandre, os tópicos de sexualidade foram incorporados ao eixo da saúde. Porém, o documento revisado não menciona de forma direta os aspectos de saúde sexual ou reprodutiva.

O primeiro-ministro Luís Montenegro havia anunciado a intenção de revisar o conteúdo dessa disciplina ainda em outubro do ano passado. Na ocasião, afirmou que a reformulação serviria para “reforçar os valores consagrados na Constituição” e eliminar o que chamou de “interferências ideológicas” dentro do currículo escolar.