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Governo Lula pressiona os Estados Unidos por diálogo após aumento de tarifas

Por Brasil Direto

O governo brasileiro expressou formalmente sua insatisfação com a decisão dos Estados Unidos de impor tarifas de 50% sobre produtos nacionais a partir de 1º de agosto. O posicionamento foi encaminhado em carta oficial assinada pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O documento, enviado na última terça-feira, foi direcionado ao secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick, e ao representante de Comércio americano, Jamieson Greer. Nessa correspondência, o Brasil solicita esclarecimentos e reitera o pedido por uma resposta à primeira carta, enviada ainda em 16 de maio, antes mesmo do anúncio da medida pelo presidente Donald Trump em sua rede social.

No texto, as autoridades brasileiras destacam que o governo recebeu com indignação a decisão unilateral de Washington e pedem um retorno oficial dos americanos a respeito da proposta que havia sido enviada anteriormente. O país reforça a disposição para manter um canal de diálogo aberto, buscando construir soluções negociadas que minimizem os danos comerciais gerados pelas novas tarifas.

Segundo a carta, o Brasil tem mantido um histórico de negociações constantes com os Estados Unidos desde abril de 2025, sempre com a intenção de aprimorar os laços econômicos e comerciais entre as duas nações. Além disso, o governo brasileiro afirma que já compartilhou uma minuta confidencial com possíveis caminhos de negociação, na tentativa de encontrar uma saída diplomática para o impasse.

O conteúdo do documento também chama atenção para o fato de que, nos últimos 15 anos, o Brasil tem acumulado um déficit significativo em sua balança comercial com os norte-americanos, ultrapassando US$ 400 bilhões entre bens e serviços. Por esse motivo, o governo brasileiro solicitou que os EUA detalhassem suas principais preocupações, a fim de orientar melhor as tratativas.

Enquanto a resposta americana ainda não chegou, Alckmin segue com reuniões setoriais com representantes da indústria e do agronegócio para discutir os desdobramentos e possíveis alternativas diante da elevação tarifária. Os encontros começaram na terça-feira, com a presença de ministros como Fernando Haddad, Simone Tebet, Rui Costa e Gleisi Hoffmann, e continuam nesta quarta-feira.

Durante as discussões, empresários brasileiros demonstraram resistência à adoção de medidas retaliatórias contra os EUA, temendo que uma escalada no conflito possa afetar ainda mais o comércio bilateral. Em resposta, o vice-presidente sugeriu que os próprios setores produtivos contribuam na interlocução com companhias norte-americanas, argumentando que a nova política de tarifas poderá impactar negativamente as economias dos dois países.

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