Irã reabre espaço aéreo após semanas de tensão com Israel

De acordo com a agência estatal IRNA, os principais terminais aéreos do Irã, incluindo os aeroportos internacionais de Mehrabad e Imam Khomeini

O governo iraniano autorizou novamente o tráfego aéreo em seu território nesta quinta-feira, após um período de suspensão iniciado em 13 de junho em decorrência da escalada de tensões militares com Israel. A informação foi divulgada por meios de comunicação oficiais do país.

De acordo com a agência estatal IRNA, os principais terminais aéreos do Irã, incluindo os aeroportos internacionais de Mehrabad e Imam Khomeini, localizados em Teerã, além de outros nas regiões norte, leste, oeste e sul, retomaram suas operações e estão preparados para receber voos.

A suspensão do espaço aéreo havia causado um grande impacto na aviação internacional. Estimativas indicam que aproximadamente três mil voos foram afetados logo após os primeiros ataques de Israel ao território iraniano. Dados do serviço FlightRadar24 mostram que no dia 14 de junho o tráfego aéreo na região ficou quase totalmente paralisado.

Durante esse período, diversas companhias aéreas optaram por cancelar suas rotas ou redirecioná-las para fora da área de conflito. Isso levou a aumentos no tempo de voo e nos custos operacionais, principalmente devido ao uso de rotas alternativas sobre países como Arábia Saudita, Turquia e Azerbaijão.

Com o recente cessar-fogo, novas análises passaram a surgir sobre os efeitos dos ataques realizados por forças americanas contra instalações nucleares iranianas. A mais recente avaliação da inteligência dos Estados Unidos indica que os bombardeios podem ter imposto um atraso significativo ao programa nuclear do Irã — estimado entre um e dois anos. Esse novo entendimento contrasta com a estimativa anterior da Agência de Inteligência de Defesa (DIA), vinculada ao Departamento de Defesa, que havia calculado um impacto de apenas alguns meses.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou publicamente que os ataques teriam “obliterado completamente” a capacidade nuclear iraniana. No entanto, essa afirmação vem sendo relativizada por especialistas internacionais.

Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), afirmou em entrevista a uma emissora francesa que os danos ao programa iraniano foram substanciais, mas não definitivos. Ele destacou que nem todas as instalações nucleares foram atingidas e que ainda não se sabe ao certo o destino do urânio enriquecido já produzido pelo país.