Justiça determina internação de adolescente acusado de apologia ao nazismo

Segundo relato de colegas, o estudante chegou a manifestar a intenção de levar uma faca para a escola

A Justiça de São Paulo determinou a internação provisória de um adolescente de 13 anos, acusado de praticar apologia ao nazismo, injúria racial e ofensas dentro de uma escola localizada na Zona Sul da capital. De acordo com os autos, o jovem compareceu a uma das aulas com um visual que remetia à figura de Adolf Hitler, incluindo penteado e bigode postiço, além de ter feito uma saudação semelhante à adotada pelo regime nazista. Durante o mesmo episódio, ele teria dirigido ofensas racistas a uma colega de classe, chamando-a com um termo depreciativo associado a macacos.

O processo ainda aponta que, em outras ocasiões, o adolescente insultou outra estudante com palavras ofensivas, chamando-a de “vadia” e “prostituta”. Em um grupo de mensagens com colegas, ele também teria chamado uma professora de “desgraçada” e compartilhado imagens com referências a Hitler, acompanhadas de declarações em que afirmava que o ditador “estava certo” e que “deveria ter matado mais”.

Segundo relato de colegas, o estudante chegou a manifestar a intenção de levar uma faca para a escola com o objetivo de cometer um atentado no último dia de aula. Apesar disso, a defesa argumentou que não houve qualquer sinal concreto de que ele estivesse se preparando para realizar tal ação.

Na decisão, o desembargador Artur Cesar Beretta da Silveira ressaltou que as evidências reunidas durante a investigação e a manifestação do Ministério Público demonstravam a autoria e a gravidade das infrações cometidas. O magistrado também observou que o adolescente não apresentava apoio familiar suficiente para desenvolver um comportamento compatível com a convivência social. Apesar da presença dos pais em sua rotina, ele concluiu que a família não conseguia conter nem corrigir suas condutas.

Com base nesses elementos, a internação foi autorizada como medida cautelar para preservar a segurança dos demais estudantes e a ordem no ambiente escolar. A defesa, por sua vez, apresentou pedido de habeas corpus. No documento, os advogados sustentaram que os atos ocorreram dentro da escola e não envolveram agressões físicas nem ameaças concretas. Eles alertaram que uma internação poderia causar danos psicológicos permanentes, dificultando a reintegração social do menor, e reforçaram que a família é estruturada e acompanha o adolescente.

Antes da decisão judicial, o estudante já havia sido transferido para outra escola e iniciado acompanhamento com profissionais da área de neuropsicologia.