Países firmam acordos bilionários com os EUA para evitar tarifas; Brasil ainda está fora

O Brasil continua sem acerto com os Estados Unidos

Diversos países têm acelerado negociações comerciais com os Estados Unidos para evitar as novas tarifas anunciadas pelo governo Trump, que devem entrar em vigor no dia 1º de agosto. A medida faz parte da estratégia americana para corrigir seu desequilíbrio na balança comercial. Enquanto várias nações já firmaram acordos bilaterais, o Brasil segue sem um entendimento com Washington e pode ser alvo de uma tarifa de até 50% sobre suas exportações.

Neste domingo (27), os Estados Unidos assinaram um acordo com a União Europeia, reduzindo a alíquota aplicada ao bloco para 15%, abaixo dos 30% anteriores. O pacto inclui a compra de US$ 750 bilhões em energia e investimentos europeus de US$ 600 bilhões na economia americana.

Outros países também já fecharam compromissos comerciais com os EUA. O Japão reduziu tarifas para 15% em troca de maior abertura ao mercado agrícola e automotivo americano. A Indonésia eliminou quase todas as tarifas sobre produtos dos EUA e conseguiu reduzir a alíquota sobre suas exportações para 19%. As Filipinas estabeleceram uma taxa de 19% sobre seus produtos, enquanto concederam isenção aos itens americanos, além de ampliar a cooperação militar. O Vietnã obteve redução de tarifas de 46% para 20%, com isenção total para produtos americanos. O Reino Unido também garantiu alíquotas reduzidas, com tarifas zero para o setor aeroespacial. Já a China conseguiu evitar tarifas mínimas de 145% com um acordo provisório que fixou temporariamente a alíquota em 30%.

Outras nações ainda buscam um acordo. Índia, Coreia do Sul, Malásia, Argentina, Taiwan e Bangladesh estão em tratativas com Washington, oferecendo concessões comerciais, compras bilionárias ou cooperação tecnológica e militar como moeda de troca.

O Brasil, no entanto, continua sem acerto com os Estados Unidos. Apesar de conversas entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio americano, não houve progresso concreto. Alckmin afirmou que o Brasil sugeriu dobrar o comércio bilateral em cinco anos, mas até o momento não obteve resposta favorável. Com a aproximação do prazo, cresce a pressão interna para adiar a aplicação das tarifas, mas declarações recentes de Trump indicam que não haverá novas rodadas de negociação antes do dia 1º de agosto, o que torna difícil uma solução de curto prazo.