Patrimônio Mundial da Unesco pode ganhar novos locais no Brasil, Panamá e México

Entre os 56 locais que atualmente constam na lista de patrimônio em perigo, metade está diretamente ameaçada por conflitos armados

Nesta semana, cerca de 30 sítios culturais e naturais localizados em países como Panamá, Brasil e México aguardam a decisão sobre sua possível inclusão na lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Esse patrimônio tem enfrentado desafios cada vez maiores devido às mudanças climáticas e a conflitos armados. Entre as candidaturas analisadas nesta edição do Comitê do Patrimônio Mundial estão a Rota Colonial Transístmica, no Panamá, a Rota Huichol, no México, e o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, no Brasil.

Audrey Azoulay, diretora-geral da Unesco, destacou que esta sessão do comitê deve reforçar o compromisso com um multilateralismo efetivo, no qual a cultura desempenha um papel essencial para enfrentar desafios como as alterações climáticas e as consequências das guerras. Ela ressaltou que os riscos relacionados ao clima estão em crescimento, apontando que quase 75% dos sítios classificados como Patrimônio Mundial já sofrem com problemas sérios relacionados à água, como secas ou enchentes. Além disso, Azoulay chamou a atenção para a crescente pressão exercida pelo excesso de turistas, um fenômeno que vem sendo denunciado globalmente.

Entre os 56 locais que atualmente constam na lista de patrimônio em perigo, metade está diretamente ameaçada por conflitos armados, afirmou a diretora-geral, cujo mandato se encerra no final deste ano. Atualmente, são mais de 1.200 bens culturais, naturais e mistos que fazem parte do Patrimônio Mundial da humanidade.

Dentre as indicações de 2025, muitas têm relação com períodos pré-históricos, como os alinhamentos megalíticos de Carnac, situados na região oeste da França, e o sítio brasileiro composto por cavernas decoradas com pinturas rupestres. A proposta mexicana contempla a Rota Huichol, que inclui dezenas de locais naturais sagrados distribuídos ao longo de 500 quilômetros no centro-norte do país, entre eles Wirikuta.

A candidatura panamenha da Rota Colonial Transístmica busca o reconhecimento da Unesco como um elemento estratégico que ligava os oceanos Pacífico e Atlântico, sendo fundamental no sistema comercial espanhol entre os séculos XVI e XIX durante o período colonial.