Uma das maiores financiadoras da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo em 2022 está sendo investigada pela Polícia Federal do Paraná sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC (Primeiro Comando da Capital).
A pecuarista Maribel Schmittz Golin, de 59 anos, que contribuiu com R$ 500 mil para a campanha de Tarcísio — sendo a sexta maior doação recebida — é mencionada em quatro operações financeiras com Willian Barile Agati. Este é apontado como integrante da facção criminosa e alvo principal da Operação Mafiusi, iniciada em dezembro passado.
A campanha do governador afirma que ele recebeu doações de mais de 600 pessoas e que não possui qualquer ligação com Maribel ou conhecimento sobre possíveis atos ilegais por parte da doadora. A doação dela foi dividida em duas parcelas: R$ 100 mil em agosto e R$ 400 mil em outubro, já no segundo turno. Nenhuma contribuição foi feita a outros candidatos.
Maribel negou envolvimento com atividades criminosas em rápida conversa via WhatsApp, mas não respondeu oficialmente. Segundo relatório da PF, ela aparece como investigada e teria realizado diversas transações com Barile, incluindo a venda de imóveis com valores muito acima do valor de mercado, o que levantou suspeitas de lavagem de dinheiro.
Além disso, quatro empresas vinculadas à pecuarista movimentaram R$ 1,4 bilhão entre 2020 e 2022, mesmo sem possuir funcionários registrados. A PF também identificou movimentações financeiras entre Maribel e o pastor Valdemiro Santiago, da Igreja Mundial do Poder de Deus. Um depoente da investigação afirmou que o marido de Maribel, Joselito Golin, atuava com Barile e “esquentava dinheiro” dentro da igreja.
O histórico empresarial do casal Golin também levanta suspeitas. Eles integram o Grupo Golin, conhecido por ter adquirido as Fazendas Reunidas Boi Gordo pouco antes do colapso do grupo, acusado de operar uma pirâmide financeira que prejudicou milhares de investidores.
Apesar de não haver menção direta ao nome de Tarcísio ou à sua campanha nos autos da investigação, a PF chegou a Maribel rastreando transações financeiras da quadrilha que operava tráfico de drogas via Porto de Paranaguá, em parceria com a máfia italiana ‘Ndrangheta. Até o momento, a apuração segue em curso, e o Ministério Público Federal já apresentou denúncia contra Barile e outros suspeitos por tráfico internacional, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Questionado sobre o relacionamento com a doadora e a origem dos valores recebidos, o governo de São Paulo reforçou que a prestação de contas da campanha foi aprovada pela Justiça Eleitoral e reafirmou que não há vínculo entre o governador e Maribel Golin.