A Rússia se tornou o primeiro país a reconhecer a legitimidade do governo Talibã no Afeganistão, quase quatro anos após o grupo retornar ao poder no país. A decisão foi divulgada pela chancelaria russa nesta quinta-feira (3/7).
Segundo a mídia estatal do país liderado por Vladimir Putin, o embaixador do Afeganistão na Rússia, Gul Hasan, chegou em Moscou na última terça-feira (1º/7). Suas credenciais para assumir o posto, foram aceitas pelo vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Andrei Rudenko, nesta quinta.
Para Rudenko, o reconhecimento do Talibã dará “um impulso ao desenvolvimento de uma cooperação bilateral produtiva” entre Rússia e Afeganistão. Logo após o reconhecimento, a bandeira do grupo islâmico sunita foi hasteada na embaixada afegã em Moscou.
Depois do reconhecimento, o ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, se reuniu com o embaixador da Rússia em Cabul, Dmitry Zhirnov. Na conversa, o chanceler do Talibã disse o gesto russo sempre será lembrado pelos afegãos, e pediu que a medida sirva de exemplo para outras países.
“A Federação Russa será lembrada como um acontecimento importante na história das relações entre os dois países e servirá de exemplo para outros países”, disse um trecho de um comunicado divulgado pela chancelaria afegã.
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A decisão surgiu após meses de negociações entre Moscou e as novas autoridades de Cabul, contestadas internacionalmente e acusadas de violações aos direitos humanos no Afeganistão. Na última delas, a Justiça da Rússia retirou, em 17 de abril, o Talibã da lista de organizações terroristas proibidas no território russo.
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Embaixador da Rússia no Afeganistão, Dmitry Zhirnov, se reuniu com o ministro das Relações Exteriores afegão, Amir Khan Muttaqi
Divulgação/Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão2 de 2
A Rússia reconheceu o Talibã como governo do Afeganistão
Divulgação/Ministério das Relações Exteriores do Afeganistão
Pioneirismo
Em meio as críticas contra o Talibã, alguns países mantém laços com o grupo que comanda o Afeganistão desde a retirada de tropas norte-americanas do país. Ainda assim, a Rússia foi a pioneira no reconhecimento do governo da organização sunita.
No início de 2024, o presidente chinês Xi Jinping recebeu as credenciais do embaixador do Afeganistão designado para a China, Bilal Karimi. Apesar do envolvimento diplomático, que sela os laços entre dois países, Pequim evitou responder questões sobre o reconhecimento formal do Talibã.
O mesmo acontece na relação entre Afeganistão e países como Emirados Árabes Unidos, Paquistão, Irã, Turcomenistão, Cazaquistão, Uzbequistão, Turquia, Índia e Quirguistão. Apesar de manter certo grau de relação diplomática com os Talibãs, como representações afegãs em seus territórios, tais nações não reconhecem o atual governo afegão.
Em entrevista exclusiva ao Metrópoles, em novembro de 2024, o Talibã culpou as sanções contra o grupo e o Afeganistão pela crise enfrentada no país. A economia do país, devastada após anos de ocupação norte-americana, é um reflexo direto do isolamento imposto pela comunidade internacional desde quando o grupo retomou o poder em 2021.