Tarcísio aponta crime organizado como maior risco para o Brasil, acima do fiscal

Tarcísio alertou para a necessidade de conter a presença do crime em setores formais da economia e defendeu o fortalecimento das Forças Armadas como medida estratégica

Durante sua participação no Fórum Jurídico de Lisboa, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, declarou que, embora o risco fiscal no Brasil seja relevante, ele considera que existe um problema mais grave e estrutural: a atuação crescente do crime organizado. Segundo ele, enquanto os desafios fiscais são solucionáveis com mecanismos já conhecidos, o avanço da criminalidade representa uma ameaça à segurança nacional e à competitividade econômica.

Tarcísio alertou para a necessidade de conter a presença do crime em setores formais da economia e defendeu o fortalecimento das Forças Armadas como medida estratégica. Ele mencionou que a estrutura de defesa nacional precisa ser capaz de proteger as fronteiras terrestres e marítimas, visando combater a infiltração de organizações criminosas no território e em atividades empresariais legítimas. O governador afirmou que, sem essa proteção, empresas que seguem as regras podem ser prejudicadas, o que compromete o ambiente de negócios.

Ele também comentou que há uma conexão preocupante entre o narcotráfico e ameaças de segurança global, como o terrorismo. Em sua visão, para que o país tenha capacidade de enfrentar esses riscos, é essencial garantir estabilidade fiscal, pois sem ela não haverá meios para equipar adequadamente as forças de defesa.

Apesar das ameaças, o governador acredita que o Brasil pode se beneficiar do atual cenário internacional de incertezas. Ele sugeriu que o país tem potencial para se tornar um parceiro estratégico em áreas como segurança alimentar, transição energética e economia baseada no conhecimento. Segundo Tarcísio, a crise no fornecimento de energia da Europa, agravada pela redução da dependência do gás russo, abre espaço para a atuação brasileira em parcerias energéticas e comerciais.

Ele ressaltou que a cooperação entre países da América do Sul e da Europa, especialmente nas áreas tecnológicas e ambientais, pode ser uma oportunidade valiosa. Para o governador, é essencial transformar fragilidade em força, adaptando-se à nova ordem global e aproveitando as janelas de oportunidade que surgem.

Tarcísio ainda expressou preocupação com a perda de influência de organismos multilaterais como a ONU e a OMC, destacando que, apesar da hegemonia militar dos Estados Unidos, o mundo hoje vive uma multipolaridade econômica, diplomática e cultural, com novas potências emergentes.

Na parte final de sua fala, ele defendeu que o Brasil deve manter sua tradição diplomática de neutralidade nas relações internacionais, sobretudo com países como China e Estados Unidos. Segundo o governador, os países não têm amizades, mas sim interesses, e o Brasil deve investir em suas vocações estratégicas — como biotecnologia, conhecimento e energia limpa — para se fortalecer nessa nova conjuntura.

Ele acrescentou que o mundo pós-pandemia busca diversificação, com empresas deixando a China e priorizando sustentabilidade, o que pode beneficiar o Brasil. No entanto, Tarcísio alertou que o alinhamento com nações com baixa governança democrática pode afastar investidores e limitar o acesso a capital estrangeiro de qualidade. Ele concluiu que, ao priorizar parceiros que não seguem boas práticas regulatórias, o país pode estar restringindo seu potencial de crescimento.