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Trump diz que Bolsonaro é alvo de “caça às bruxas” e pede fim da perseguição

Por Brasil Direto

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou sua rede social oficial, a Truth Social, nesta segunda-feira, para sair publicamente em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em sua mensagem, Trump criticou duramente as decisões da Justiça brasileira, que levaram à inelegibilidade de Bolsonaro, e classificou a situação como uma injustiça.

Na publicação, o líder americano declarou estar acompanhando o que considera uma “perseguição” contra o ex-chefe do Executivo brasileiro e descreveu os processos contra ele como parte de uma “caça às bruxas”. Segundo Trump, Bolsonaro seria inocente e apenas teria cumprido seu papel como defensor dos interesses populares. Ele relembrou que conheceu o ex-presidente pessoalmente e o descreveu como um líder determinado, profundamente comprometido com o país e com postura firme nas negociações comerciais. Também afirmou que a vitória eleitoral de Bolsonaro teria ocorrido por margem apertada e que ele estaria novamente liderando as pesquisas no Brasil.

Trump ainda destacou que o julgamento legítimo de Bolsonaro deveria ocorrer por meio do voto da população e não nas cortes. Para ele, o cenário atual seria uma forma de atacar um adversário político, algo que ele próprio teria vivenciado em diversas ocasiões. O presidente americano concluiu que continuará atento à situação e pediu publicamente que deixem Bolsonaro em paz.

A manifestação ocorre em um momento delicado para o ex-presidente brasileiro, que foi considerado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2023, após ser condenado por uso indevido dos meios de comunicação e por atacar, sem apresentar provas, o sistema eletrônico de votação. Paralelamente, Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), onde responde a acusações como tentativa de golpe, formação de organização criminosa, dano qualificado com uso de violência, ameaça grave à ordem pública e destruição de patrimônio tombado.

A defesa de Bolsonaro por Trump foi publicada logo após o presidente americano ter feito críticas ao Brics, grupo de nações que realizou uma cúpula no fim de semana no Rio de Janeiro. Trump anunciou que qualquer país que se alinhar a políticas que ele considera hostis aos Estados Unidos será submetido a uma tarifa adicional de 10% sobre suas exportações, sem exceções. A declaração gerou forte repercussão nos bastidores da reunião.

O comunicado final da cúpula do Brics criticou medidas unilaterais consideradas contrárias ao direito internacional e alertou sobre os efeitos negativos dessas ações. Apesar disso, o texto não fez referência direta ao governo americano nem mencionou o novo pacote tarifário anunciado por Washington, enquanto diversas nações seguem tentando negociar melhores condições comerciais ou adiar os impactos das sanções.

Logo após a fala de Trump, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente afastado de suas funções parlamentares e residindo com a família nos Estados Unidos, informou a aliados que aquela seria apenas a primeira de uma série de ações planejadas. A informação foi divulgada pela colunista Bela Megale, de O Globo. Eduardo tem atuado informalmente para convencer autoridades norte-americanas a adotar sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Essa movimentação teve novo impulso em maio, quando o senador Marco Rubio afirmou, durante uma audiência no Congresso americano, que havia forte possibilidade de aplicação de sanções contra o magistrado brasileiro. A fala foi motivada por questionamentos do deputado Cory Mills, que levantou a hipótese de Jair Bolsonaro estar sofrendo uma perseguição de caráter político.

Na mesma ocasião, foi levantada a possibilidade de se aplicar a chamada “Lei Magnitsky”, criada nos Estados Unidos durante a gestão de Barack Obama. A legislação permite punir autoridades estrangeiras acusadas de violar direitos humanos, com medidas como bloqueio de bens, suspensão de cartões e restrições ao uso de redes sociais.

Dias depois, o próprio Rubio anunciou novas diretrizes que restringem vistos a estrangeiros considerados envolvidos na repressão à liberdade de expressão de cidadãos americanos. Em uma rede social, ele declarou que essas pessoas “não deveriam ter o privilégio de entrar no país”. Entretanto, nenhum nome específico foi mencionado, tampouco prazos definidos para o início da aplicação das medidas.

 

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