Nesta quinta-feira (17), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou que a secretária de Justiça, Pam Bondi, protocole uma solicitação junto ao sistema judiciário americano para que os depoimentos colhidos pelo Grande Júri no caso Jeffrey Epstein sejam tornados públicos.
Pouco tempo após o anúncio feito por Trump em sua rede Truth Social, onde justificou a medida afirmando que o caso recebe uma “atenção absurda”, Bondi declarou que sua equipe jurídica pretende protocolar o pedido oficialmente nesta sexta-feira (18). A liberação dos documentos, no entanto, depende da autorização do Poder Judiciário.
A iniciativa de Trump vem em resposta às recentes pressões de grupos conservadores que vêm exigindo transparência sobre os conteúdos ligados ao escândalo envolvendo Epstein. Esses grupos, ligados à base republicana, cobram que o Departamento de Justiça identifique todas as figuras públicas possivelmente conectadas ao caso, especialmente aquelas que ainda não tiveram seus nomes revelados.
Mesmo diante dessas demandas, Trump voltou a argumentar que toda a comoção em torno de Epstein é uma farsa arquitetada pelos democratas. “Esse golpe montado pela esquerda precisa chegar ao fim imediatamente!”, escreveu o presidente em sua publicação.
Na véspera, Trump já havia causado desconforto entre seus seguidores ao afirmar que os supostos arquivos comprometedores — os quais são considerados obsessão por parte do eleitorado trumpista — seriam uma invenção dos adversários políticos. Ele chegou a afirmar que quem acreditasse nessas histórias seria um “ex-apoiador”.
Segundo o republicano, “as mentiras e enganações são a única especialidade do Partido Democrata”. Ele também criticou duramente os democratas, dizendo que “não sabem governar, nem formular políticas decentes ou sequer escolher candidatos competitivos”. Para ele, a chamada “farsa Epstein” é mais um capítulo da estratégia política da oposição.
Em suas críticas mais recentes, Trump ainda ironizou a base que continua cobrando esclarecimentos sobre o caso, dizendo que muitos deles “não aprenderam nada e talvez nunca aprendam, mesmo após anos sendo enganados pela esquerda radical”.
As declarações do presidente geraram reações negativas até mesmo entre seus apoiadores nas redes. Diversos usuários acusaram Trump de não cumprir promessas feitas durante a campanha de 2024, quando havia afirmado que tornaria públicos todos os arquivos relacionados a Epstein. Alguns alertaram, inclusive, que a insatisfação interna pode comprometer o desempenho do Partido Republicano nas eleições legislativas de 2026.
Jeffrey Epstein foi inicialmente acusado de crimes sexuais em 2006. Em 2019, voltou a ser preso, dessa vez por tráfico de menores, e morreu enquanto estava detido em Nova York. A versão oficial das autoridades aponta que ele cometeu suicídio.