O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer críticas públicas ao presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, nesta terça-feira (22). Segundo ele, a autoridade monetária americana mantém as taxas de juros em níveis considerados excessivamente altos e, por isso, não deverá permanecer no cargo por muito tempo, apontando que faltariam apenas oito meses para o fim de sua gestão.
Durante um encontro com o presidente das Filipinas, Ferdinand Marcos Jr., na Casa Branca, Trump afirmou que Powell tem desempenhado um papel insatisfatório à frente do banco central norte-americano, mas ressaltou que sua saída do cargo se aproxima. Ele também comentou que, em sua visão, a taxa básica de juros deveria ser reduzida para 1% e sugeriu que os juros atuais estariam cerca de três pontos percentuais acima do ideal.
Ainda na coletiva concedida após a reunião, o presidente americano mencionou a possibilidade de sua administração eliminar a cobrança de impostos sobre lucros obtidos com a venda de imóveis. Segundo ele, essa medida seria uma forma de contornar os efeitos da atual política de juros praticada pelo Fed, e indicou que, caso as taxas fossem reduzidas, talvez a proposta nem fosse necessária.
Na semana anterior, surgiram informações de que Trump teria consultado alguns congressistas sobre a viabilidade de demitir Powell. A especulação gerou preocupação entre investidores quanto à autonomia da instituição e à sua capacidade de manter uma política de longo prazo voltada ao controle da inflação. Como reflexo, o dólar americano registrou queda de 1,2% frente a uma cesta de moedas internacionais. Diante da repercussão negativa, o presidente negou a intenção de demissão.
Paralelamente às declarações sobre os juros, o governo Trump iniciou novas críticas contra o Federal Reserve. O diretor de orçamento da Casa Branca, Russell Vought, tem alegado que a reforma orçada em US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13,9 bilhões) na sede do banco central teria sido conduzida de forma ineficiente e desorganizada.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, também elevou o tom e, no dia anterior (21), defendeu publicamente a necessidade de uma investigação ampla sobre o funcionamento e a estrutura da instituição.