Washington revoga status de terrorista de grupo que derrubou Assad

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a decisão

O governo dos Estados Unidos comunicou, nesta segunda-feira (7), a revogação da classificação de “organização terrorista estrangeira” aplicada ao grupo Hayat Tahrir al-Sham (HTS), que já teve vínculos com a Al-Qaeda e foi responsável pela queda do antigo regime sírio em dezembro. A nova medida será válida a partir de terça-feira (8) e acompanha a recente suspensão de sanções econômicas impostas à Síria, uma ação tomada pelo presidente Donald Trump.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, anunciou a decisão: “De acordo com a promessa feita pelo presidente Trump em 13 de maio de aliviar sanções contra a Síria, estou informando sobre minha intenção de retirar a designação de organização terrorista da Frente al-Nusrah, também chamada de Hay’at Tahrir al-Sham (HTS)”.

O HTS, anteriormente conhecido como Frente al-Nusra e vinculado à Al-Qaeda, cortou relações com o grupo extremista em 2016 e passou a tentar reformular sua imagem. Liderado por Ahmed al-Sharaa, o grupo encabeçou a coalizão que derrubou o ex-presidente sírio Bashar al-Assad no ano passado, encerrando décadas de domínio da família Assad sobre o país. Após a queda do regime, Sharaa assumiu como presidente interino — uma transição recebida com cautela por governos ocidentais, enquanto Israel observava com atenção a formação do novo governo.

Rubio acrescentou que “a medida segue o anúncio da dissolução do HTS e o compromisso do atual governo sírio de combater todas as formas de terrorismo”.

Desde 2017, o HTS controlava partes da província de Idlib, no noroeste da Síria, exercendo forte domínio na região e sendo acusado de abusos contra opositores. Em janeiro, após o colapso do regime anterior, os novos líderes sírios divulgaram que todas as milícias seriam dissolvidas, com algumas — incluindo o HTS — sendo absorvidas por instituições como a nova força policial nacional.

A administração Trump, ainda em maio, optou por suspender a maioria das sanções impostas à Síria, ação influenciada pelos pedidos de países como Arábia Saudita e Turquia, que defendem a reintegração da nação ao cenário econômico global. Também foi retirada a recompensa que existia pela captura de Ahmed al-Sharaa, agora no poder.

Durante o anúncio da tomada do governo, o comandante militar do HTS, Murhaf Abu Qasra, declarou que o próximo passo seria a incorporação dos grupos armados ao novo Exército nacional. Ele afirmou: “Todas as unidades militares devem estar vinculadas à estrutura oficial do Estado”. Usando o nome de guerra Abu Hassan al-Hamawi, Qasra garantiu que o HTS seria a primeira organização a se dissolver, respeitando o que chamou de “interesse coletivo do país”.

O novo comando também sinalizou intenção de assumir o controle de regiões do nordeste sírio hoje administradas pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão curda com apoio dos Estados Unidos. Segundo o comandante, “aquelas áreas serão incorporadas à nova gestão nacional”, destacando que “o povo curdo é parte integrante da população síria, e não haverá divisão territorial nem criação de entidades federativas”.

O líder militar aproveitou ainda para cobrar o fim das ofensivas aéreas e incursões militares de Israel, que aumentaram desde a queda de Assad, especialmente na região das Colinas de Golã — área considerada parte da Síria pelo direito internacional, mas ocupada por Israel desde 1967.