A violência voltou a se intensificar na Grande Vitória nesta terça-feira (26), quando sete ônibus foram apedrejados em uma rodovia da capital capixaba. De acordo com a polícia, o ataque teria sido motivado pela morte de um adolescente de 15 anos, investigado por possível envolvimento com o tráfico de drogas.
No dia anterior, segunda-feira (25), outros cinco coletivos haviam sido depredados em Vitória e em Vila Velha, logo após um homem ser morto em confronto com agentes de segurança. A corporação informou que ele portava uma arma no momento da abordagem.
O secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, declarou que, apesar da proximidade temporal, os dois episódios não possuem ligação direta. Ele acrescentou que pediu às empresas de transporte que mantivessem a circulação regular nesta quarta-feira (27). Segundo Damasceno, os ataques seriam uma forma de retaliação a operações policiais realizadas na região.
Ainda segundo ele, no caso registrado na segunda-feira, a revolta começou após a morte de um suspeito no Complexo da Penha. O homem chegou a ser socorrido, mas não resistiu, e a confirmação do óbito teria incentivado moradores a promover atos violentos em “homenagem” a ele, incluindo a depredação e o incêndio de coletivos.
A capital capixaba é palco de uma disputa entre duas facções: o PCV (Primeiro Comando de Vitória), de origem local, e o TCP (Terceiro Comando Puro), vindo do Rio de Janeiro e com ramificações em estados como Minas Gerais. Damasceno explicou que, na região da Grande São Pedro, a maioria dos grupos atua em parceria com o PCV. Segundo ele, parte da população acreditou que os ataques de segunda e terça estivessem relacionados, mas na prática os dois acontecimentos foram independentes. O secretário também ressaltou que o TCP tem histórico de extrema violência e é considerado inimigo do Espírito Santo.
Além dos ataques contra ônibus, a violência também tem feito vítimas inocentes. No domingo (24), Alice Rodrigues, de apenas 6 anos, morreu após ser baleada dentro do carro da família, na Serra, município da Grande Vitória. O automóvel foi confundido com o de integrantes de facções rivais durante um tiroteio, e a criança acabou atingida no pescoço.
A Serra, assim como Vitória e Vila Velha, também enfrenta uma sequência de crimes violentos. No dia 23, um tiroteio em frente a um bar resultou na morte de um homem de 28 anos e deixou outro, de 20, gravemente ferido.