O governo australiano reconhecerá um Estado palestino na Assembleia Geral das Nações Unidas no próximo mês, confirmou Anthony Albanese, primeiro-ministro trabalhista da Austrália, ao afirmar que uma solução de dois Estados – Palestina e Israel – é “a melhor esperança da humanidade para quebrar o ciclo de violência no Oriente Médio e pôr fim ao conflito, sofrimento e fome em Gaza“.
A confirmação ocorre horas depois de o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu – que enfrenta crescente desaprovação em relação à crise humanitária em Gaza – ter classificado a Austrália e os países europeus como “vergonhosos” por considerarem o reconhecimento de um Estado palestino.
O primeiro-ministro australiano disse ter conversado com Netanyahu na semana passada e lhe dito que “a situação em Gaza superou os piores temores do mundo”, citando um número inaceitável de civis mortos. As informações são do jornal britânico The Guardian.
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Mais de 60 mil civis foram mortos durante a campanha de bombardeios israelense em Gaza, segundo autoridades de saúde locais, após o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023, no qual 1,2 mil israelenses foram mortos e dezenas foram feitos reféns.
“A Austrália reconhecerá o direito do povo palestino a um Estado próprio, com base nos compromissos que a Austrália recebeu da Autoridade Palestina. Trabalharemos com a comunidade internacional para tornar esse direito uma realidade”, anunciou Albanese nesta segunda-feira (11/8).
Ao lado de Albanese, a ministra das Relações Exteriores, Penny Wong, disse: “Não podemos continuar esperando o fim de um processo de paz que está paralisado”.
“Sempre dissemos que os civis palestinos não podem ser obrigados a pagar o preço da derrota do Hamas. Mas uma população inteira foi destruída. Portanto, em setembro, a comunidade internacional tem a chance de forjar esperança a partir do desespero, enquanto o mundo aproveita as oportunidades apresentadas pelos novos compromissos da Autoridade Palestina e busca apoiar os esforços da Liga Árabe para isolar o Hamas.”
“Traição e decepção”
O Conselho Executivo dos Judeus Australianos (ECAJ) classificou a decisão do governo como uma “traição” e uma “decepção”. O porta-voz de defesa da coalizão, Angus Taylor, classificou a decisão como “prematura”, alegando que ela recompensaria o Hamas.
A ação da Austrália coincide com as promessas de reconhecimento feitas por países como França, Canadá e Reino Unido nas últimas semanas, em meio à crescente mobilização internacional por um Estado palestino e à condenação da campanha militar de Israel em Gaza, incluindo planos de ocupação militar de todo o território.