A menos de três meses para o início da COP30, representantes do governo federal informaram que delegados de 47 países entre os 196 participantes da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC) já possuem hospedagem confirmada em Belém, equivalente a 24% do total.
Em entrevista, Miriam Belchior, secretária-executiva da Casa Civil, e Valter Correia, secretário-extraordinário para a COP30, disseram esperar que mais delegações finalizem reservas nos próximos dias, após respostas enviadas pelo Brasil a uma série de questionamentos das nações participantes.
Entre os 47 países com acomodações confirmadas, 39 reservaram quartos por meio da plataforma oficial, que oferece um número limitado de unidades a preços controlados. Os outros oito países recorreram ao mercado privado, pagando valores mais altos. Entre os que usaram a plataforma, a maioria são nações desenvolvidas com maior orçamento para seus diplomatas.
A entrevista ocorreu após reunião do governo brasileiro com o bureau da UNFCCC, quando foram entregues respostas formais a 48 questões encaminhadas pela organização. Uma força-tarefa da Casa Civil também realiza contatos individuais com as delegações para auxiliar na conclusão das reservas, priorizando países em desenvolvimento.
“Faremos essas chamadas bilaterais com todos os países para fechar o conjunto de ofertas que já fizemos: quartos para 15 negociadores com diárias entre US$ 100 e US$ 200 para os países mais pobres, ou para 10 negociadores com valores mais altos”, explicou Belchior.
Segundo Correia, o volume de leitos não é mais um problema, já que o governo mapeou e está disponibilizando mais de 33 mil quartos, correspondendo a mais de 53 mil leitos. O desafio, agora, é ajustar os preços: “A ONU nos solicitou cerca de 24 mil quartos, suficiente para a conferência. O problema é disponibilizá-los a valores compatíveis com o poder aquisitivo dos países”, afirmou.
O secretário destacou que os preços obtidos estão em linha com outras edições da COP, mas que há expectativa de soluções milagrosas por parte de algumas nações: “Eles esperam quartos individuais a US$ 100, próximos à conferência. É preciso que saiam um pouco da zona de conforto para contribuir melhor”, disse Correia.
Mesmo que a questão da hospedagem dos delegados seja resolvida, ainda não há solução para representantes da sociedade civil, academia, setor empresarial e comunidades tradicionais, que também participarão da COP30.
O governo avalia intervenções limitadas no mercado, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), dentro da lei brasileira. “No início de junho, a Senacon acionou todos os hotéis pedindo informações. Esses dados estão sendo analisados e poderão gerar consequências para casos de abuso”, explicou Correia. “Há liberdade de mercado, mas não pode haver abuso. Os órgãos de controle estão parametrizando isso conforme a legislação brasileira”, completou.