Cúpula relâmpago entre EUA e Rússia pode redefinir rumos do conflito ucraniano

Kiev e a Europa não participarão, o que já é visto como um ganho para Moscou

Após mais de três anos de conflito, a Guerra na Ucrânia entra em um novo capítulo com a cúpula surpresa entre Donald Trump e Vladimir Putin, marcada para esta sexta-feira (15) no Alasca. O encontro, anunciado apenas uma semana antes, ocorre com o líder russo em vantagem militar, especialmente após um avanço inesperado na região de Donetsk.

Kiev e a Europa não participarão, o que já é visto como um ganho para Moscou. Na tentativa de acalmar aliados, Trump realizou videoconferência com Volodimir Zelenski, mas a ausência de representantes ucranianos na base Elmendorf-Richardson favorece o Kremlin.

Na véspera, Putin confirmou oficialmente a viagem, a primeira de um líder russo aos EUA desde 1867, afirmando que a Ucrânia será o tema central e que busca “condições para paz no longo prazo” com Washington e a Europa. Também indicou que acordos sobre “controle de armas ofensivas estratégicas” podem entrar na pauta.

O encontro pode abranger negociações sobre minerais estratégicos e sanções econômicas. Trump já alertou que a Rússia enfrentará “consequências muito severas” se não aceitar uma trégua, mencionando inclusive punições a países que compram petróleo russo, como China, Índia e Brasil.

A reunião terá conversas privadas, encontros ampliados e um café da manhã oficial. Ainda assim, há ceticismo em Moscou sobre as intenções americanas, e Putin mantém sua exigência de que quatro regiões ucranianas sejam reconhecidas como parte da Rússia. Kiev teme que qualquer acordo apenas congele o conflito, permitindo que Moscou retome ofensivas no futuro.

“Ialta ganhou a Segunda Guerra Mundial, e agora vamos evitar a Terceira”, declarou Kirill Dmitriev, lembrando a conferência histórica de 1945. Trump, por sua vez, tentou reduzir expectativas, afirmando que quer ouvir Putin e que informará Kiev e Bruxelas, admitindo que tudo pode “acabar mal”.