As investigações sobre descontos ilegais aplicados por sindicatos e associações em benefícios do INSS — que somam mais de R$ 6 bilhões — representam apenas parte dos inúmeros esquemas de fraude contra a Previdência Social.
Segundo o advogado Rômulo Saraiva, especialista na área e autor do livro “Fraudes no INSS”, esses golpes envolvem desde roubo de dados e uso de inteligência artificial até falsificação de documentos e ocultação de cadáveres. A obra reúne mais de 400 casos reais.
Entre os golpes mais frequentes estão: falsa prova de vida, saques após morte do beneficiário, laudos médicos comprados para obter benefícios por incapacidade, descontos não autorizados em folha, e uso de dados pessoais obtidos ilegalmente.
O livro será lançado nesta quinta-feira (7), às 19h, na PUC-SP, e classifica os casos por tipo de fraude: históricas, fiscais, eletrônicas, bancárias, previdenciárias e outras.
O levantamento se baseou em operações da Polícia Federal, CPIs, decisões judiciais e reportagens nacionais e internacionais — revelando que essas fraudes não são exclusivas do Brasil. Há relatos semelhantes nos EUA, Itália, Suécia e Japão.
Saraiva alerta que, com os avanços tecnológicos, aumentam os riscos de exposição dos dados dos segurados, tornando mais fácil a ação dos golpistas — ainda que muitos aposentados sejam enganados por métodos mais simples.
Não há uma estimativa precisa do prejuízo total à Previdência, mas, em casos anteriores, como o da “Máfia da Previdência” nos anos 1990, estimou-se que metade da arrecadação do INSS da época havia sido desviada.
Casos internacionais incluem desde pessoas que mantêm cadáveres de familiares escondidos para continuar recebendo o benefício até uso de disfarces para fraudar o sistema. No Brasil, casos como o do “Tio Paulo” — levado morto ao banco — também se destacam.
O livro também destaca fraudes com laudos falsos, biometria enganosa, portabilidade fraudulenta, descontos associativos sem autorização e golpes com empréstimos consignados. Em muitos casos, os próprios aposentados são aliciados por quadrilhas.
Além disso, o mercado negro de dados de beneficiários se expandiu com a ajuda da IA, que organiza essas informações por região, idade ou benefício, permitindo fraudes em larga escala.
Há ainda golpes envolvendo o BPC (para pessoas de baixa renda) e a aposentadoria rural. Em ambos os casos, há exemplos de beneficiários com padrão de vida elevado, incompatível com os requisitos dos programas.