EUA e Venezuela em alerta máximo: foco em narcotráfico e intervenção possível

De acordo com dados da plataforma Global Firepower, o poderio bélico dos EUA supera amplamente o de Caraca

A movimentação militar dos Estados Unidos na América do Sul voltou a gerar atenção esta semana, com cerca de 4 mil soldados sendo deslocados para a região sob ordens do presidente Donald Trump, em uma operação voltada ao combate ao narcotráfico na costa da Venezuela. A Casa Branca acusa o governo venezuelano, liderado por Nicolás Maduro, de comandar um cartel internacional responsável pelo envio de drogas, incluindo fentanil, para os Estados Unidos.

De acordo com dados da plataforma Global Firepower, o poderio bélico dos EUA supera amplamente o de Caracas. As Forças Armadas americanas somam 1,3 milhão de militares em serviço ativo e 2,1 milhões quando se incluem reservistas, com mais de 13 mil aeronaves, das quais 9.700 estão operacionais. No campo terrestre, os EUA dispõem de cerca de 4.600 tanques e 391 mil veículos militares. A frota naval americana conta com 440 ativos, incluindo 70 submarinos, e o país mantém 5.177 ogivas nucleares, segundo a Federação de Cientistas Americanos.

Em contraste, a Venezuela mantém cerca de 337 mil militares entre ativos, reservas e forças paramilitares, com uma frota aérea de 229 aeronaves — apenas 126 prontas para uso —, 172 tanques e cerca de 8.800 veículos. Sua frota naval é limitada a 34 embarcações militares. Estimativas do The World Factbook indicam que as despesas militares do país variam de 0,3% a 0,6% do PIB nos últimos anos, com um pico de 1,6% em 2020.

A estrutura militar venezuelana inclui aproximadamente 125 a 150 mil integrantes das Forças Armadas ativas e cerca de 200 mil membros das Milícias Bolivarianas, criadas em 2007 pelo ex-presidente Hugo Chávez. A Milícia Nacional, atualmente, é um dos cinco componentes da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) e conta com cerca de 5 milhões de reservistas. O arsenal do país é majoritariamente composto por equipamentos russos e soviéticos, com aquisições recentes da China e do Irã, além de itens antigos de origem europeia e americana. Desde 2006, os Estados Unidos proíbem a venda ou transferência de tecnologia militar ao governo venezuelano.

A tensão se intensificou com a aproximação de três destróieres americanos — USS Gravely, USS Jason Dunham e USS Sampson — equipados com o sistema Aegis de mísseis guiados. Em resposta, Maduro anunciou a mobilização de 4,5 milhões de paramilitares, classificando a movimentação americana como uma ameaça. A Casa Branca reafirmou que a operação tem foco no combate ao narcotráfico e que Trump está preparado para empregar “toda a força” contra o regime chavista.

Segundo reportagens, os navios devem se aproximar da costa venezuelana nesta quarta-feira, em cumprimento à ordem de Trump, emitida em 8 de agosto, autorizando o uso de força militar contra cartéis latino-americanos considerados terroristas. A ação abre a possibilidade de operações em águas e territórios estrangeiros, o que levanta questões jurídicas.

O governo brasileiro acompanha a movimentação com cautela, ciente de que a Venezuela compartilha mais de 2 mil quilômetros de fronteira com o país. Interlocutores ouvidos pelo GLOBO ressaltam que, embora ainda não haja reação oficial, a operação americana pode indicar uma preparação para eventual intervenção militar na nação vizinha.