Israel aprova mega-assentamento na Cisjordânia e dificulta criação de Estado Palestino

O plano, adiado por anos devido à pressão internacional, avança em meio a um aumento recorde de ataques de colonos extremistas contra aldeias palestinas

Israel aprovou nesta quarta-feira um projeto estratégico para a construção de 3.400 novos assentamentos na Cisjordânia ocupada, no chamado bairro E1, que dividiria o território em dois e dificultaria a criação de um Estado palestino com continuidade territorial. O plano, adiado por anos devido à pressão internacional, avança em meio a um aumento recorde de ataques de colonos extremistas contra aldeias palestinas.

O prefeito da colônia de Ma’ale Adumim, Guy Yifrah, anunciou que a administração civil aprovou recentemente o planejamento do bairro E1, enquanto o ministro israelense das Finanças, Bezalel Smotrich, de extrema direita, defendeu a implementação acelerada do projeto e a anexação da Cisjordânia, afirmando que a ação enterraria a possibilidade de reconhecimento de um Estado palestino e criaria uma realidade judaica no território. Smotrich também alegou que o plano contaria com o apoio do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do presidente americano, Donald Trump, embora sem apresentar provas.

A proposta provocou reações internacionais, com ONU e União Europeia pedindo a desistência da construção. Três organizações israelenses — Peace Now, Ir Amim e a Associação para Justiça Ambiental — alertaram que a área de E1 é a última reserva de terra entre os centros urbanos palestinos de Ramallah, Jerusalém Oriental e Belém, lar de cerca de um milhão de palestinos, e que a construção criaria um bloco contínuo de assentamentos.

Cerca de três milhões de palestinos vivem na Cisjordânia, junto a aproximadamente 500 mil israelenses em colônias, a maioria considerada ilegal pela comunidade internacional. Em junho, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia aplicaram sanções a Smotrich e a outro ministro de extrema direita por incentivarem violência contra palestinos.

A colonização da região, na fronteira com a Jordânia, ocorre sob todos os governos israelenses desde 1967, mas se intensificou após o início da guerra em Gaza em outubro de 2023. Desde então, confrontos entre palestinos, o exército israelense e colonos aumentaram significativamente. De acordo com a ONU (OCHA), colonos realizaram mais de 750 ataques contra palestinos na primeira metade de 2025 — quase cinco vezes mais que em 2022 — enquanto o Exército israelense documentou 440 incidentes, destacando um aumento geral da violência.

Com a atenção internacional voltada para Gaza, colonos extremistas na Cisjordânia intensificaram ações de intimidação e apropriação de terras. Moradores locais, como Muhammad Sabr Asalaya, relataram tentativas de expulsão e anexação de áreas estratégicas. A maior parte dos judeus israelenses na região não participa desses ataques, mas lideranças radicais buscam intimidar palestinos e garantir controle de territórios essenciais.

Os ataques, que inicialmente se concentravam em comunidades semi-nômades ao nordeste de Ramallah, se expandiram para vilarejos maiores e mais ricos, como Burqa e Beitin. Desde 2023, colonos construíram mais de 130 postos avançados, a maioria não autorizada formalmente, mas tolerada pelo governo, superando vinte anos de expansões anteriores.

Simultaneamente, o Exército israelense demoliu bairros urbanos estratégicos administrados pela Autoridade Palestina e instalou centenas de bloqueios e pontos de controle, alegando conter grupos militantes. Essas medidas dificultaram o deslocamento de palestinos, prejudicaram a economia local e deixaram dezenas de milhares sem moradia. A circulação na região depende de permissões rigorosas para acessar Jerusalém Oriental ou Israel, restringindo ainda mais a vida cotidiana da população palestina.