O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve centrar seu discurso de abertura na Assembleia Geral da ONU, marcada para o próximo mês em Nova York, na defesa da soberania do Brasil. Tradicionalmente, o país é o primeiro a se manifestar, seguido pelos Estados Unidos.
Auxiliares do presidente afirmam que ainda não há definição completa sobre o conteúdo do pronunciamento, principalmente diante do aumento das críticas e sanções por parte dos EUA a autoridades brasileiras. A orientação é aguardar antes de finalizar o texto.
O Brasil enfrenta pressão norte-americana para que o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentativa de golpe, seja arquivado. Bolsonaro está em prisão domiciliar e terá início de julgamento no STF no dia 2 de setembro.
Lula destacou que não pretende misturar o caso de Bolsonaro com negociações comerciais, especialmente sobre a sobretaxa de 50% aplicada recentemente a algumas exportações brasileiras. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, aliado de Bolsonaro, mantém a posição e fechou o canal de diálogo com o Brasil.
Outros temas de prioridade para o governo incluem a COP30 em Belém, a situação na Faixa de Gaza e o conflito entre Rússia e Ucrânia.
Reforma da OMC
O presidente brasileiro tem dialogado com diversos países sobre a defesa do multilateralismo e a necessidade de relançar a reforma da Organização Mundial do Comércio (OMC), cuja instância final de apelação está atualmente paralisada.
Lula já manteve conversas com os líderes Xi Jinping, Vladimir Putin e Narendra Modi, e deve contatar em breve o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, além de líderes europeus. Apesar das limitações do organismo, o Brasil recorreu à OMC contra a sobretaxa americana, alegando que as medidas de Trump violam as normas internacionais de comércio.