Mais de 70 pessoas perderam a vida e dezenas ainda são consideradas desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação carregando migrantes, majoritariamente etíopes, próximo à costa do Iêmen. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (4) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Segundo relatos das autoridades locais, o barco afundou nas águas do Golfo de Áden, na região costeira de Abyan. Ao todo, 157 pessoas estariam a bordo no momento do acidente. Até agora, foram contabilizados 76 corpos e 32 sobreviventes, de acordo com as autoridades iemenitas e representantes da agência da ONU.
Fontes da Secretaria de Segurança da província indicaram que a embarcação seguia em direção à costa da região quando afundou. Um agente da polícia local informou à imprensa internacional que uma grande operação de resgate foi iniciada, com esforços concentrados na recuperação dos corpos das vítimas, quase todas de origem etíope. Ainda segundo o comunicado emitido pela Secretaria, muitos dos cadáveres estavam espalhados pelas praias da região, o que indicaria que há um número significativo de pessoas desaparecidas.
Apesar do cenário de instabilidade que afeta o Iêmen desde 2014, o fluxo de migração irregular para o país permanece constante, especialmente de migrantes vindos da Etiópia. Esses grupos, frequentemente, tentam cruzar o estreito de Bab al-Mandab — uma rota usada tanto para fins comerciais quanto para o tráfico de pessoas. Esse estreito liga o Djibuti ao Iêmen e é uma das principais passagens utilizadas por quem busca oportunidades em países do Golfo, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, onde a demanda por mão de obra estrangeira é alta.
De acordo com dados da OIM, apenas no último ano, ao menos 558 mortes foram registradas nessa perigosa travessia marítima. Dessas, 462 ocorreram em naufrágios. Em outro episódio recente, no mês passado, oito pessoas morreram quando traficantes forçaram migrantes a abandonarem um barco no Mar Vermelho, conforme relatado pela organização.