O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, afirmou que Rússia e China se preparam para um confronto longo com a aliança militar, na qual os Estados Unidos detêm o maior poder militar e influência estratégica. A declaração do chefe do bloco aconteceu nesta quarta-feira (27/8), durante evento na Alemanha.
“Rússia e China estão expandindo suas Forças Armadas e suas capacidades em velocidade e escala”, disse Rutte durante inauguração de uma fábrica de munições no município alemão de Unterlüß. “Seu reforço militar aponta para uma direção clara: eles estão se preparando para um confronto e competição de longo prazo, conosco [Otan]”.
Por conta da ameaça, o líder da Otan voltou a pedir que os 32 países membros da aliança reforcem sua área de Defesa e invistam mais na área de indústrias militares.
Desde o início do conflito na Ucrânia, a aliança tem sido uma das principais fontes de assistência militar ao país liderado por Volodymyr Zelensky. Apesar do investimento, a guerra com a Rússia se arrasta por mais de três anos. Com isso, a Otan já admitiu publicamente que os arsenais dos países membros estavam se esgotando.
Em maio deste ano, Rutte declarou que a Rússia é superior ao bloco, como um todo, em termos de produção de munições — o que seria uma das explicações para a superioridade no campo de batalha.
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Divulgação/Otan
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Otan é a sigla para Organização do Tratado do Atlântico Norte, uma aliança militar intergovernamental criada em 4 de abril de 1949, após o final da Segunda Guerra Mundial
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Os países signatários do tratado, na época, eram a Bélgica, França, Noruega, Canadá, Islândia, Países Baixos, Dinamarca, Portugal, Itália, Estados Unidos, Luxemburgo e Reino Unido
Otan
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Quando criada, reunia países ocidentais e capitalistas, liderados no contexto da bipolaridade formada entre os Estados Unidos (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), no período da Guerra Fria
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A Otan tinha por objetivos impedir o avanço do bloco socialista no continente europeu, fazendo frente à URSS e a seus aliados da Europa Oriental, além de fornecer ajuda mútua a todos os países membros
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A aliança era baseada em três pilares: a defesa coletiva dos Estados membros, impedir o revigoramento do militarismo nacionalista na Europa, e encorajar a integração política europeia
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O período de bipolaridade entre EUA e URSS dividiu o mundo. Os dois países e seus respectivos aliados mantinham-se em alerta para eventuais ataques bélicos
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A Otan investiu em tecnologia de defesa, na produção de armas estratégicas e também espalhou pelas fronteiras soviéticas sistemas de defesa antimísseis
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Na fase final da Guerra Fria, a organização passou a assumir novos papéis. Em 1990, sob ordem do Conselho de Segurança da ONU, a Otan interveio no conflito da ex-Iugoslávia. Foi a primeira vez que agiu em território de um Estado não membro
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Em 2001, a Otan anunciou a aplicação do princípio da segurança coletiva: um ataque feito a um país membro seria um ataque contra todos os demais
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Como os ataques terroristas ocorridos em setembro de 2001 foram considerados atos de guerra pelo governo norte-americano, a cláusula foi acionada. Por esse motivo, a organização participou da invasão ao Afeganistão
Scott Nelson/Getty Images
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Além de ver o terrorismo como nova ameaça, a Otan colaborou com operações de paz e realizou ajuda humanitária, como aos sobreviventes do furacão Katrina, em 2005
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Soldados da Otan também realizaram operações militares em zonas conflituosas do mundo, como o Bálcãs, o Oriente Médio e o norte da África
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Atualmente, a aliança é composta por 32 países, localizados principalmente na Europa
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Bósnia e Herzegovina, Geórgia e Ucrânia são os três países classificados como “membros aspirantes” à organização. Porém, para a Rússia, a perspectiva da antiga república soviética Ucrânia se juntar à Otan é impensável
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Por isso, meses depois as 32 nações da Otan concordaram em aumentar os gastos com defesa, e destinar 5% do PIB para a área. Além do conflito na Europa, a decisão também foi tomada após pressões do presidente dos Estados Unidos.
Antes mesmo de assumir a Casa Branca, Trump falou em retirar os EUA da Otan, caso aliados não cumprissem metas de gastos militares. Na prática, isso significaria um golpe para a aliança, cuja maior parte do investimento vem dos norte-americanos.
A possibilidade de Washington “abandonar” Kiev também foi um dos motivos que desencadearam uma corrida armamentista na Europa, principalmente entre membros da Otan. O motivo: eles enxergam uma possível derrota da Ucrânia como uma ameaça futura contra seus próprios territórios e interesses.
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Rússia e China realizam exercício militar
No mesmo dia da declaração do chefe da Otan, Rússia e China finalizaram um exercício militar nas águas da região da Ásia-Pacífico.
Segundo informações da Marinha da Rússia, a atividade consistiu em uma patrulha naval conjunta na área, que envolveu navios e submarinos de guerra russos e chineses.