O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (28) que ainda não entrou em contato com Donald Trump, defendendo que um líder não deve se humilhar diante de outro. Ele ressaltou que só conversará com o ex-presidente norte-americano quando houver abertura da parte de Trump, mantendo a postura de dignidade e respeito própria de um chefe de Estado.
Em reuniões e entrevistas recentes, Lula reforçou que nem ele nem seus ministros que lidam com negociações internacionais se consideram subalternos aos Estados Unidos. O presidente também destacou que não realizou a ligação porque não houve iniciativa do americano, e que o diálogo direto entre os dois permanece pendente. Nesse período, a tratativa sobre o chamado “tarifaço” vem sendo conduzida por Geraldo Alckmin (vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores).
Lula comentou que Trump anunciou o tarifaço publicamente em suas redes sociais, e que ele só ficou sabendo do conteúdo pela imprensa. Em contrapartida, o brasileiro enviou uma carta formal convidando Trump para a COP30, conferência climática da ONU marcada para novembro em Belém, mantendo o convite separado de questões comerciais.
O presidente também criticou a postura americana na negociação, lembrando do cancelamento da reunião de Haddad com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, em função de pressões políticas internas. Para Lula, a suspensão da agenda evidenciou a falta de seriedade do governo dos EUA na condução das negociações sobre o tarifaço. Ele observou que, mesmo com esforços de Alckmin, Haddad e Mauro Vieira, não houve contato direto com autoridades norte-americanas até o momento.
Lula ainda apontou que a mobilização da extrema-direita, incluindo a atuação de Eduardo Bolsonaro nos EUA, contribuiu para atrapalhar a comunicação entre os dois governos, em especial no contexto das retaliações comerciais.
O governo brasileiro, por sua vez, vem adotando o tarifaço como ferramenta para ampliar mercados comerciais, buscando reforçar relações com países também impactados, como Índia e China. Nesse contexto, Lula tem mantido diálogo constante com líderes internacionais para tratar da questão comercial.