Acusada de mandar matar os pais no caso conhecido como Crime da 113 Sul, a arquiteta Adriana Villela, 61 anos, é julgada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), na tarde desta terça-feira (5/8). Assista ao vivo:
Mesmo com a ausência do relator, ministro Rogerio Schietti Cruz, os demais magistrados decidiram prosseguir com a análise do caso. O presidente, ministro Sebastião Reis Júnior, disse que ficou sabendo que Schietti não compareceria somente no fim de semana. “Conversei com meus colegas e todos concordamos em dar seguimento”, afirmou.
A julgamento na Sexta Turma do STJ começa com o placar de 1 a 0 pela execução imediata da pena pela arquiteta, condenada pelo Tribunal do Júri de Brasília a 61 anos de prisão pelo triplo homicídio dos pais e da funcionária da família.
A filha de Adriana Villela, a policial civil Carolina Villela, acompanha o julgamento no STJ. Ao chegar na Corte, ela não quis falar com a imprensa.
Em março deste ano, o colegiado iniciou o julgamento do caso. Na ocasião, o ministro relator, votou pela prisão imediata de Villela, conforme decidiu o Tribunal do Júri. Mas a avaliação foi suspensa após o ministro Sebastião Reis Junior, presidente do colegiado, pedir vista.
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Na sessão desta terça-feira, Sebastião Reis apresentará seu voto-vista. Pela sequência, após Sebastião Reis, vota o ministro Antônio Saldanha; o desembargador Otávio de Almeida Toledo e o ministro Og Fernandes.
Ainda cabe mais um pedido de vista no caso. Isso suspenderia o julgamento por mais 60 dias, prorrogáveis por mais 30.
Crime da 113 Sul
- Em agosto de 2009, José Guilherme, Maria e Francisca foram mortos no apartamento da família, no sexto andar de um prédio na 113 Sul.
- As vítimas foram golpeadas com mais de 70 facadas pelos autores do crime.
- No julgamento de 2019, o porteiro do prédio à época, Paulo Cardoso Santana, foi condenado a 62 anos de prisão por ter matado as vítimas. Considerados coautores, Leonardo Campos Alves e Francisco Mairlon tiveram penas fixadas em 60 e 55 anos, respectivamente.
- O Metrópoles contou o caso com riqueza de detalhes no podcast Revisão Criminal. Em sete episódios, as teses da defesa e da acusação foram explicadas com profundidade.
Defesa e acusação
Os advogados de Adriana pediam que a Corte anulasse o júri que condenou a arquiteta a mais de 60 anos pela morte dos pais e da empregada da família. Os advogados Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, e Marcelo Turbay, que fazem a defesa da ré, alegam que houve parcialidade de uma das juradas – a mulher se manifestou nas redes sociais contra um advogado de Adriana e mentiu perante o juiz.
A defesa disse que a investigação foi desastrosa e não considerou provas que, segundo os advogados, inocentariam Adriana, como o fato de ela ter enviado um e-mail do computador de sua casa a amigos na hora em que a acusação aponta que a arquiteta estaria na residência dos pais.
Em carta divulgada na véspera do julgamento no STJ, Adriana Villela afirmou que é apontada como “a algoz daqueles que mais amei na vida, meu sangue, minha essência: meus próprios pais e a querida Francisca”. “Tenho sido terrivelmente injustiçada, mas ainda respiro”, completa Adriana. Ela finaliza o texto e diz que ora por justiça. “Eles podem tentar roubar minha paz, minha dignidade, minha história, mas jamais conseguirão destruir a minha alma, a minha essência”.
A acusação mantém expectativa pela rejeição dos pedidos de Adriana Villela. Para o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT), “o veredito do Tribunal do Júri de 2019 deve ser mantido, pois as teses de nulidade são descabidas e já foram superadas nas fases anteriores do processo”.
“O MPDFT espera que o STJ siga o voto do relator, ministro Rogério Schietti Cruz, que já se posicionou pela rejeição do recurso da defesa e pela prisão imediata de Adriana Villela em sessão realizada dia 11 de março de 2025”, declarou o órgão.
Colaboraram Samara Schwingel e Jade Abreu