Tarifas de Trump levam Taurus a ampliar produção em solo americano

A primeira vez que a Taurus mencionou o plano de realocar parte da produção para os Estados Unidos foi em julho

A fabricante de armamentos Taurus anunciou nesta sexta-feira (8) que começará a transferir a montagem da linha de pistolas da série G — sua principal linha de produtos — para a unidade industrial localizada nos Estados Unidos. A decisão ocorre em meio ao impacto gerado pelas tarifas recentemente impostas pelo governo de Donald Trump sobre produtos importados do Brasil.

A partir de setembro, a empresa passará a montar cerca de 900 armas diariamente em solo americano, volume que representa uma parcela do total de 2.100 unidades que hoje são produzidas no Brasil e destinadas exclusivamente ao mercado norte-americano.

De acordo com a nota divulgada pela companhia, o CEO global da Taurus, Salesio Nuhs, explicou que a empresa já vinha tomando medidas para mitigar os efeitos das tarifas desde que as primeiras sinalizações sobre a taxação surgiram. Entre essas ações, a Taurus reforçou o estoque de produtos finalizados nos EUA de forma antecipada e hoje mantém uma reserva estratégica com autonomia estimada em cerca de 90 dias.

Além disso, a empresa também adiantou o envio de componentes essenciais, como carregadores, buscando evitar a incidência da nova alíquota de 50% de imposto sobre esses itens.

A primeira vez que a Taurus mencionou o plano de realocar parte da produção para os Estados Unidos foi em julho, pouco antes da confirmação oficial da tarifação. A repercussão no mercado foi imediata, com as ações da companhia registrando queda de 7,87% no dia do anúncio.

Em declarações recentes, Nuhs destacou que o mercado americano representa a maior parte da receita da empresa, respondendo por 82,5% do faturamento total. Em 2024, a Taurus atingiu uma receita líquida de R$ 1,6 bilhão, reforçando o peso da dependência do mercado norte-americano em sua operação.

A empresa conta atualmente com três unidades de produção: a matriz, localizada em São Leopoldo (RS), uma fábrica no estado da Geórgia (EUA) e outra na Índia, que começou a operar em 2024. A capacidade de produção no Brasil é de aproximadamente 7 mil armas por dia, enquanto a unidade norte-americana é capaz de produzir até 3 mil armas diárias.