Trump diz que Ucrânia decidirá sobre territórios em negociação com Putin

Trump procurou afastar novamente a impressão de que determinaria sozinho o destino da Ucrânia

A caminho de sua primeira cúpula com Vladimir Putin no atual mandato, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (15) que a decisão sobre quais territórios a Ucrânia poderá negociar para alcançar a paz com a Rússia deve caber ao próprio país. O comentário foi feito a bordo do Air Force One, durante a viagem para Anchorage, no Alasca, onde a reunião ocorrerá. Putin, por sua vez, deve chegar vindo de Magadan, cidade do Extremo Oriente russo.

Trump procurou afastar novamente a impressão de que determinaria sozinho o destino da Ucrânia, sem a presença do presidente Volodimir Zelenski ou de aliados europeus, preocupados com possíveis exigências territoriais do russo. O presidente norte-americano afirmou que seu papel é colocar Putin e Zelenski à mesa de negociações, e não negociar pela Ucrânia, ressaltando que “as trocas serão discutidas, mas eu tenho de deixar a Ucrânia tomar a decisão”.

Zelenski também moderou suas declarações nesta sexta, reconhecendo que a cúpula pode abrir caminho para uma paz justa, apesar de ter criticado Trump nos últimos dias por sua exclusão do evento. Em mensagem no Telegram, o presidente ucraniano destacou que a Rússia deve tomar os passos necessários para encerrar a guerra e reiterou a expectativa de apoio americano.

Trump voltou a mencionar a posição militar de Putin, que lançou uma ofensiva surpresa em Donetsk, e disse acreditar que o russo pensa erroneamente que está em vantagem para negociar. Mesmo assim, elogiou a habilidade do líder russo, afirmando que ambos mantêm um nível de respeito mútuo.

Desde o anúncio da cúpula no Alasca, houve uma diminuição relativa nos ataques aéreos sobre cidades ucranianas, embora os avanços em solo continuem. Nesta sexta-feira, a Ucrânia realizou ataques em regiões russas, causando ferimentos a cerca de 20 pessoas, enquanto a ofensiva em Donetsk deixou ao menos sete mortos. Ao mesmo tempo, não houve lançamentos de mísseis balísticos que provocassem alarmes aéreos em Kiev e outras grandes cidades.

O encontro está previsto para as 11h30 (16h30, horário de Brasília) em uma base militar em Anchorage. A programação inclui conversas iniciais apenas com intérpretes, seguida de reunião ampliada com delegações, café da manhã e coletiva de imprensa, que poderá ser conjunta ou separada.

No primeiro mandato de Trump, a única cúpula com Putin, em 2018, terminou com uma entrevista conjunta considerada problemática para o americano, que declarou confiar mais em Putin do que em sua própria inteligência sobre a interferência nas eleições de 2016.

Da comitiva russa estarão presentes os ministros Serguei Lavrov (Relações Exteriores), Andrei Belousov (Defesa), Anton Siluanov (Finanças), o czar de investimentos Kirill Dmitriev e o assessor internacional Iuri Uchakov. A delegação americana incluirá os secretários Marco Rubio (Estado), Pete Hegseth (Defesa), Scott Bessent (Tesouro) e Howard Lutnick (Comércio), além do negociador Steve Witkoff, do diretor da CIA John Ratcliff, outros assessores e parlamentares.

A presença de líderes da área econômica em ambos os lados reforça a intenção de Putin de negociar não apenas a Ucrânia, mas também a retomada das relações bilaterais com os EUA. Dmitriev, em tom bem-humorado, comentou sobre o tamanho reduzido da comitiva russa em comparação à americana, descrevendo a situação como uma “emboscada” em rede social.