A expectativa em torno de uma possível votação do projeto de lei que prevê anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro e que poderia beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou força na Câmara. Líderes partidários buscam acordo para colocar o tema em pauta somente após o encerramento do julgamento da trama golpista, previsto para 12 de setembro.
O movimento em favor do texto foi impulsionado pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontado como potencial candidato da oposição à presidência em 2026. Ele tem buscado apoio de Bolsonaro e tratou do assunto por telefone com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Motta reconheceu a complexidade do tema, afirmando que uma anistia ampla provavelmente não seria aprovada, mas não descartou discutir o projeto.
Durante reunião com líderes partidários nesta terça-feira, Hugo Motta indicou que a anistia não será votada nesta semana. Contudo, segundo participantes, o assunto deverá ser retomado em novo encontro, previsto para quinta-feira desta semana ou na próxima terça-feira.
Bolsonaro já se encontra inelegível devido a ataques às urnas eletrônicas e responde a julgamento no STF que investiga uma trama golpista para tentar se manter no poder e impedir a eleição do presidente Lula. Apesar disso, aliados do ex-presidente pressionam para aprovar uma anistia, sem definição ainda sobre sua abrangência ou impacto sobre a inelegibilidade e possíveis condenações relacionadas à trama.
As bancadas do União Brasil, PP e Republicanos intensificaram a pressão pela pauta, enquanto alguns deputados governistas reconhecem que o tema ganhou força e poderia ser levado ao plenário da Câmara. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), criticou o movimento, considerando equivocada a tentativa de discutir a anistia logo após a participação de Tarcísio em Brasília.