Argentina volta a intervir no câmbio; dólar dispara e reservas ficam sob risco

Na quinta-feira (18), a moeda americana chegou a ser cotada em 1.474 pesos

Um dia após o Banco Central da Argentina intervir no câmbio pela primeira vez desde o acordo firmado com o FMI em abril, o dólar voltou a se valorizar frente ao peso, alcançando o teto da banda cambial definida pelo governo. Na quinta-feira (18), a moeda americana chegou a ser cotada em 1.474 pesos, praticamente no limite estabelecido para o dia.

A venda de US$ 53 milhões pelo Banco Central na terça-feira marcou a primeira atuação direta desde que o país adotou o sistema de bandas, que permite ao peso flutuar dentro de margens pré-definidas. A medida foi vista como sinal de fragilidade da política econômica de Javier Milei, em meio ao aumento da pressão nos mercados.

Enquanto os títulos argentinos registravam quedas e o risco-país ultrapassava 1.300 pontos — maior patamar em um ano —, novos indicadores reforçaram a crise: o PIB recuou 0,1% no segundo trimestre, frustrando expectativas de recuperação, e a desaprovação do governo atingiu níveis recordes.

A situação política também se agravou. Na quarta-feira, a Câmara dos Deputados derrubou, por ampla maioria, vetos de Milei a projetos que ampliam gastos com universidades e saúde, impondo ao presidente mais uma derrota no Congresso.

Analistas de mercado avaliam que a pressão sobre o câmbio deve se intensificar com a proximidade das eleições legislativas de outubro. Embora reconheçam que o governo ainda tenha margem para sustentar o peso dentro da banda, especialistas alertam que o uso das reservas internacionais pode se tornar insustentável, e defendem que ajustes mais rápidos na política cambial seriam inevitáveis para evitar perdas maiores.