Com Michel Temer e Sérgio Moro, Skaf apresenta conselho da Fiesp para 2024

Skaf defendeu que os novos conselheiros representam “as melhores cabeças liberais e de centro-direita” e que a Fiesp deve ser um espaço de formulação de soluções para os desafios nacionais

O presidente eleito da Fiesp, Paulo Skaf, apresentou nesta quinta-feira (25), em São Paulo, os integrantes dos 16 conselhos superiores que vão atuar em sua próxima gestão à frente da entidade. A posse está prevista para janeiro, quando ele inicia seu quinto mandato.

Entre os nomes escolhidos estão figuras de peso da política recente, incluindo ex-ministros do governo Bolsonaro, como Tereza Cristina (Agricultura), Joaquim Leite (Meio Ambiente), Mendonça Filho (Educação) e Sérgio Moro (Justiça), além do ex-presidente do Banco Central e atual executivo do Nubank, Roberto Campos Neto. O ex-presidente Michel Temer comandará o Conselho de Estudos Nacionais e Política. Também compõe a lista o diplomata Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da OMC, já anunciado para liderar o Conselho de Comércio Exterior.

Durante a primeira reunião dos conselhos, realizada em um hotel nos Jardins, em São Paulo, o grupo fez críticas à condução econômica do governo Lula, ao aumento de impostos e à situação fiscal do país. Campos Neto apontou que a polarização política e a elevação de gastos corroem as instituições, enquanto Flávio Amary, do Conselho da Indústria da Construção, classificou a nova faixa de isenção do Imposto de Renda como mera correção de tabela, sem justificativa para compensação via aumento tributário.

Skaf defendeu que os novos conselheiros representam “as melhores cabeças liberais e de centro-direita” e que a Fiesp deve ser um espaço de formulação de soluções para os desafios nacionais. Ele também afirmou manter diálogo com os presidentes da Câmara e do Senado para incluir parlamentares nas discussões da federação.

O retorno de Skaf ao comando da entidade ocorre após anos de polêmicas e de forte aproximação com a direita, especialmente com Jair Bolsonaro. Sua gestão anterior foi marcada por ações de impacto midiático, como os protestos contra a CPMF e o “exército de patos” contra a ex-presidente Dilma Rousseff. Com mais 20 anos de liderança à frente da Fiesp, o empresário volta em meio a pressões do setor industrial, que enfrenta exportações oneradas e juros elevados.