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Como relação com Epstein se tornou crise sem fronteiras para Trump

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Como relação com Epstein se tornou crise sem fronteiras para Trump

A ligação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com o financista condenado por crimes sexuais Jeffrey Epstein continua a gerar turbulência para o republicano. Uma crise que já não fica apenas dentro da política interna dos EUA. Na terça-feira (16/9), em viagem do americano à Inglaterra e antes mesmo de se encontrar com a família real e com o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, Trump foi recebido por diversos protestos.

O país foi tomado por manifestações, marcadas por imagens de Trump ao lado de Epstein, que foram projetadas nas paredes do Castelo de Windsor. O presidente norte-americano chegou na última quarta-feira (17/9), na Inglaterra para uma visita de Estado.

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Contra a presença do presidente norte-americano no país, milhares de manifestantes continuaram os protestos e se reuniram no centro de Londres na quarta.

Viagem de Trump

Os britânicos já questionavam o governo em meio a uma crise após a revelação de que o embaixador britânico nos Estados Unidos, Peter Mandelson, tinha ligação com Epstein, tendo sido logo demitido. Além de Trump, os manifestantes também demonstraram insatisfação com Starmer.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Stephen Doughty, Mandelson não teria revelado a extensão nem a profundidade da amizade com Epstein no momento da nomeação como embaixador.

Mandelson enviava e-mails a Epstein, nos quais afirmava que a condenação, em 2008, por solicitar uma menor de 18 anos para prostituição era injusta e deveria ser contestada.

Roberto Uebel, professor de Relações Internacionais e do Programa de Pós-Graduação em Administração da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), explicou, ao Metrópoles, que a ligação de Trump com Epstein “reforça percepções de falta de ética e integridade, minando sua credibilidade política”.

“No Reino Unido, onde a opinião pública é sensível a escândalos de caráter, a associação com Epstein aprofunda a desconfiança em relação a Trump e, sobretudo, seu governo”, pontuou Uebel.

Ainda segundo o professor, a demissão do embaixador sinalizou que “Londres buscou minimizar riscos diplomáticos” para não agravar as tensões ou “projetar conivência diante da opinião pública britânica, especialmente porque Trump também se encontrou com o Rei Charles III, ou seja, um sentido de preservação da própria monarquia”.

Trump e Epstein

A demissão de Peter Mandelson é um reflexo claro de que “governos percebem a rede de Epstein como ameaça reputacional séria, especialmente diante das manifestações que ligaram Trump diretamente a esse universo”, segundo Uebel.

As imagens projetadas em Windsor, segundo o professor, reforçam uma narrativa negativa “que tende a se cristalizar internacionalmente, sobretudo em sociedades que valorizam a transparência”.

Ainda segundo Uebel, a mensagem é que “Trump não pode se eximir de responsabilidade por ter integrado esse ambiente de privilégios e abusos”.

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