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Diálogo inicial entre Lula e Trump é visto como vitória diplomática do Brasil

Por Brasil Direto

Integrantes do governo brasileiro que acompanharam o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump em Nova York nesta terça-feira relataram que a conversa foi breve e cordial, durando menos de 20 segundos. A iniciativa de anunciar o encontro coube a Trump, que, em seu discurso na Assembleia-Geral da ONU, revelou que os dois líderes devem se reunir na próxima semana. A forma do encontro — se presencial ou virtual —, assim como data e horário, ainda não foi definida.

Segundo interlocutores que acompanham Lula, a disposição de Trump para negociar é interpretada como um revés para o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que desde fevereiro busca estimular o governo americano a aplicar sanções contra cidadãos brasileiros.

Fontes presentes indicaram que, ao cruzar com Lula, Trump demonstrou simpatia e afirmou ter percebido uma “química excelente” entre os dois. Ele ressaltou que aprecia fazer negócios com pessoas de quem gosta e reiterou críticas às tarifas aplicadas pelo Brasil no passado, defendendo a soberania americana e afirmando que o país sul-americano só prosperaria se cooperasse com os EUA.

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência, Gleisi Hoffmann, avaliou o contato como uma “surpresa positiva” e sugeriu que uma reunião poderia ocorrer ainda nesta terça. Apesar da indefinição sobre detalhes do encontro, auxiliares de Lula consideraram o contato inicial encorajador, especialmente após o anúncio do “tarifaço” em julho, que havia gerado críticas ao presidente brasileiro por não ter buscado diálogo com Trump desde a posse.

Na manhã de terça, antes do discurso de Trump, Lula falou na sede da ONU, reiterando críticas aos Estados Unidos e à política americana, sem citar nomes diretamente. A fala ocorreu um dia após os EUA aplicarem novas sanções a cidadãos brasileiros, incluindo Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, e o ministro-chefe da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias.

O governo americano mantém a pressão sobre o Brasil com sobretaxas de 50% sobre produtos nacionais, cancelamento de vistos e aplicação da Lei Magnitsky, direcionada a estrangeiros acusados de corrupção ou violações de direitos humanos. Auxiliares de Lula interpretam as ações como uma ingerência externa, apoiada por setores da extrema direita brasileira, e alertam que propostas de anistia para envolvidos na trama golpista de 8 de janeiro de 2023 não terão respaldo.

Durante seu discurso, Lula também reforçou a defesa do Judiciário nacional, destacando que a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro ocorreu em processo minucioso, com pleno direito de defesa, e reafirmou que “nossa democracia e nossa soberania são inegociáveis”. Ele lembrou que foi a primeira vez em 525 anos de história do Brasil que um ex-chefe de Estado foi responsabilizado judicialmente por ações contra a ordem democrática, enfatizando a diferença entre o devido processo legal no país e a ausência de garantias em regimes autoritários.

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