Manobras russas em Belarus incluem ataque nuclear e defesa contra invasão anfíbia

As manobras, chamadas Zapad (Ocidente), começaram na sexta-feira (12) e contaram com a participação de tropas russas e belarusas, embora em escala menor devido à guerra na Ucrânia

A Rússia concluiu nesta terça-feira (16) seus exercícios militares nas fronteiras da Otan em Belarus com uma simulação de ataque nuclear, usando o novo míssil do arsenal de Vladimir Putin, o Orechnik, testado em combate na Ucrânia em novembro passado.

As manobras, chamadas Zapad (Ocidente), começaram na sexta-feira (12) e contaram com a participação de tropas russas e belarusas, embora em escala menor devido à guerra na Ucrânia. Pela primeira vez, a operação foi admitida oficialmente pelos envolvidos e incluiu ataques com mísseis convencionais e simulação de defesa contra invasão anfíbia no Ártico, próximo a Murmansk.

Aleksandr Lukachenko, ditador de Belarus, afirmou que os exercícios envolvem “de armas convencionais a ogivas nucleares” e destacaram o lançamento simulado do Orechnik, um míssil balístico de alcance intermediário com ogivas independentes, capaz de atingir toda a Europa. Moscou já posicionou ogivas nucleares táticas em Belarus, teoricamente para uso em campos de batalha.

O Zapad simula a invasão da Otan e o contra-ataque russo-belarusso, incluindo o uso de armas nucleares táticas. A operação cobre o flanco oeste russo, da Ucrânia ao Ártico, em paralelo à Operação Sentinela Oriental da Otan, que reforça a defesa do espaço aéreo europeu. Caças franceses e britânicos foram deslocados à Polônia, enquanto países bálticos, como Letônia e Polônia, expressam preocupação com a vulnerabilidade a drones de ataque, enviando equipes a Kiev para estudar táticas ucranianas.

O gesto de convidar militares americanos para observar as manobras, embora com acesso limitado, simboliza uma tentativa de manter canais de diálogo com os EUA, mesmo em meio às tensões.