Em artigo publicado neste domingo (14) no The New York Times, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva expressou o desejo de manter uma relação de diálogo franco e aberto com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Lula manifestou orgulho em relação à decisão do Supremo Tribunal Federal que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, e considerou infundadas as acusações feitas contra o Brasil.
No texto, ele responde ao aumento das tarifas norte-americanas de 50% sobre produtos brasileiros, dizendo que analisou os argumentos comerciais com atenção e os considerou não apenas incorretos, mas também ilógicos, visto que os Estados Unidos têm superávit na balança comercial com o Brasil. Lula avaliou que essas medidas não possuem racionalidade econômica, o que evidencia para ele uma intenção política por trás das ações.
O presidente afirmou ainda que o governo dos EUA estaria usando tarifas e a Lei Magnitsky para tentar garantir impunidade ao ex-presidente condenado. Ele também comentou que o Supremo atuou conforme a Constituição de 1988, considerando legítimo o processo de investigação e julgamento, e que não se trata de uma perseguição política.
Lula também rebateu críticas internacionais de que a regulação das redes sociais no Brasil seria censura, garantindo que as normas se aplicam igualmente a plataformas nacionais e estrangeiras, com o objetivo de proteger a população contra fraudes, desinformação e discurso de ódio. Ele fez um paralelo à defesa da liberdade, dizendo que a internet não pode servir como espaço sem lei, onde agressores e pedófilos teriam liberdade para agir.
Outro ponto abordado foi o PIX, que ele disse ser importante instrumento de inclusão financeira para milhões de pessoas. Também enfrentou acusações de falha ambiental, afirmando que o Brasil reduziu pela metade o desmatamento da Amazônia nos últimos dois anos, embora tenha alertado que para conter emissões de gases do efeito estufa é necessário que outros países também cumpram suas responsabilidades.
Por fim, Lula disse que, apesar de reconhecer os interesses legítimos dos Estados Unidos em reindustrialização e geração de empregos, considera equivocadas as tarifas unilaterais e defende as relações multilaterais. Ele lembrou que Brasil e Estados Unidos mantêm vínculos históricos de mais de 200 anos, e que divergências ideológicas não devem impedir cooperação quando houver interesses comuns.