Dahesly Oliveira Pires, de 25 anos, presa nesta quinta-feira (18/9) por suspeita de participação na morte do ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, já havia sido detida em 2023 ao tentar entrar com drogas em um presídio de Osasco, na região metropolitana de São Paulo. Segundo as investigações, a mulher teria transportado um fuzil da região do ABC Paulista até Praia Grande, usado no atentado contra o ex-delegado.
Ela foi levada ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na quarta-feira (17/9) para prestar depoimento e seria namorada de outro investigado no caso. A partir de impressões digitais encontradas em um dos veículos utilizados pelos criminosos, outros dois suspeitos também foram identificados.
Em junho de 2023, Dahesly e outras cinco mulheres foram presas por tráfico de drogas, ao tentar entrar no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Osasco com entorpecentes escondidos em blusas do tipo “top” e folhas de carbono, detectados por scanner. Com ela, foram apreendidos 187 gramas de maconha, enquanto as demais mulheres levavam quantidades semelhantes da droga, além de LSD e outras substâncias sintéticas. Parte do grupo foi liberada na audiência de custódia, e o processo de Dahesly chegou a ser suspenso em agosto de 2025 a pedido do Ministério Público.
O ex-delegado Ruy Ferraz Fontes foi executado a tiros de fuzil no bairro Mirim, em Praia Grande, na segunda-feira (15/9), após bater o carro em um ônibus durante uma tentativa de fuga. Câmeras de segurança registraram os criminosos saindo de outro veículo e disparando mais de 20 tiros contra o carro do ex-delegado, que morreu no local. Outras duas pessoas que estavam próximas ao ataque ficaram feridas.
Ferraz Fontes foi o primeiro delegado a investigar o PCC em São Paulo, enquanto chefiava a Delegacia de Roubo a Bancos do Deic nos anos 2000, transferindo posteriormente líderes da facção para presídios federais em 2019. Até o momento, a Polícia Civil não identificou os mandantes, e a hipótese de retaliação da facção é investigada. Outra linha apura se a execução teria relação com disputas políticas na cidade, vinculadas ao trabalho de Ferraz Fontes na Secretaria da Administração de Praia Grande.
Nesta quinta-feira, a cúpula da Segurança Pública do estado se reuniu para definir novas etapas da investigação.