Cassação inédita: Braguinha perde mandato por favorecimento a facção criminosa

Braguinha, que estava no cargo desde 2021, tornou-se o primeiro prefeito do Brasil cassado por ligação com uma facção criminosa

Os eleitores de Santa Quitéria, maior município do Ceará em extensão territorial, vão às urnas neste domingo (26) para escolher um novo prefeito. A eleição suplementar foi convocada depois que a Justiça Eleitoral cassou José Braga Barroso, o Braguinha (PSB), e seu vice, Gardel Padeiro (PSB), por abuso de poder e favorecimento da facção Comando Vermelho (CV).

Investigações conduzidas pela Promotoria e pela Polícia Civil indicaram que Anastácio Paiva Pereira, o Doze, líder do CV no Ceará, teria ordenado ameaças a eleitores e oferecido drogas em troca de votos durante a campanha de 2024. Santa Quitéria, com mais de 4.200 km² e grandes reservas de urânio, é considerada estratégica para a facção, que busca ampliar seu controle sobre o tráfico na região norte do estado.

Braguinha, que estava no cargo desde 2021, tornou-se o primeiro prefeito do Brasil cassado por ligação com uma facção criminosa. Seu filho, Joel Barroso (PSB), assumiu interinamente e agora disputa o pleito contra Cândida Figueiredo (União) e Lígia Protásio (PT).

A cassação ocorreu em 7 de maio. O advogado de defesa, Fernandes Neto, afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade e apresentaria recursos às instâncias superiores. Ele negou qualquer vínculo de Braguinha com o crime organizado e garantiu que adotaria medidas para proteger os direitos políticos do ex-prefeito, mantendo confiança na Justiça Eleitoral.

A eleição será realizada com forte esquema de segurança, envolvendo Polícia Federal, Abin, Exército e Polícia Militar, sob acompanhamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O caso ganhou repercussão nacional como um marco no combate à interferência de facções em processos eleitorais, que utilizam ameaças, boatos e intimidação para influenciar votos.

As investigações apontam que o CV já tentou interferir nas eleições de 2020. Em 2024, as ações incluíram pichações, mensagens de WhatsApp e transporte de veículos de luxo, reforçando a suspeita de conluio com integrantes da administração municipal. Entre as ordens atribuídas à facção, estavam instruções sobre pichações em residências e veículos e ameaças a eleitores e servidores da Justiça Eleitoral, incluindo mensagens como “problema de quem for votar nele” e recomendações para não associar o nome do ex-prefeito às pichações.