Durante viagem à Itália nesta segunda-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que busca um nome altamente qualificado — e não um amigo pessoal — para ocupar a vaga que será deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente destacou que o principal critério de escolha será a competência para defender e aplicar a Constituição, independentemente de gênero, cor ou vínculo político.
Lula declarou que quer indicar alguém “gabaritado”, cuja principal função será garantir o cumprimento da Constituição, ressaltando que suas escolhas anteriores para a Corte seguiram essa mesma linha. O petista participou em Roma da abertura do Fórum Mundial da Alimentação e de um encontro sobre a Aliança Global de Combate à Fome e à Pobreza, na sede da FAO. Ele retorna ao Brasil ainda nesta segunda e pretende conversar com membros do governo antes de anunciar a decisão.
Entre os possíveis nomes cotados estão o ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, considerado o favorito pela proximidade com o presidente; o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que conta com forte apoio no Senado e de ministros do Supremo; e o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas, embora este último tenha menos chances.
Barroso anunciou sua aposentadoria na última quinta-feira (9), após 12 anos no STF, afirmando que pretende se afastar da vida pública e buscar novos rumos. Ele também defendeu que uma mulher ocupe sua vaga, lembrando que, com a saída de Rosa Weber, apenas Cármen Lúcia representa as mulheres na Corte — cenário que dificilmente mudará nesta nova nomeação.
Ainda durante entrevista coletiva em Roma, Lula comentou brevemente sobre o caso da deputada Carla Zambelli (PL-SP), presa na Itália desde julho. O presidente disse não ter tratado do assunto e afirmou que não se lembrava dela, classificando-a como alguém que não merece respeito democrático e que deverá responder por seus atos na Justiça, seja no Brasil ou na Itália.
Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de prisão por envolvimento na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e teve novo pedido de prisão domiciliar negado pela Justiça italiana na semana passada.