“Não enveneno a polícia”: cozinheira é executada por recusar ordem de criminosos

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que dois homens, de 20 e 21 anos, foram presos em flagrante, e um adolescente apreendido

Antônia Ione Rodrigues da Silva, conhecida como “Bira”, de 45 anos, foi assassinada a tiros na madrugada de sábado (18) dentro de sua residência em Saboeiro, interior do Ceará. De acordo com as investigações, a cozinheira, próxima de agentes da Polícia Militar, teria sido morta após recusar a ordem de criminosos para envenenar a comida dos policiais.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que dois homens, de 20 e 21 anos, foram presos em flagrante, e um adolescente apreendido por suspeita de envolvimento no crime. O inquérito, divulgado pelo site g1, indica que os suspeitos seriam integrantes do Comando Vermelho e atuariam como líderes do tráfico de drogas na região. A defesa nega todas as acusações.

O ataque ocorreu por volta das 2h da manhã, no distrito de Flamengo, quando quatro homens armados invadiram a casa e atiraram contra Bira. No momento do crime, dois filhos da vítima, incluindo uma menina de 12 anos, estavam presentes.

Em depoimento, o filho de Bira relatou que, dias antes, o adolescente apreendido havia ameaçado a mãe de morte. Policiais militares afirmaram que a vítima havia sido pressionada pelos suspeitos a envenenar a comida destinada aos agentes, o que ela recusou de forma contundente: “Eu enveneno a de vocês, que gostam de vagabundo, mas não a da polícia”.

Os três detidos negam envolvimento no homicídio e qualquer ligação com facções criminosas. O adolescente declarou que foi convidado pelos outros dois suspeitos a participar do assassinato, mas recusou a participação. Segundo o inquérito, Bira teria sido “decretada” pelo Comando Vermelho por sua amizade com policiais e por supostamente ter colaborado com a captura de membros da facção.

A Prefeitura de Saboeiro emitiu nota lamentando o crime e prestando solidariedade à família e amigos da vítima. A Polícia Civil segue investigando o caso, buscando esclarecer se o assassinato teve relação direta com a atuação da cozinheira junto aos agentes da PM.