O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (18) que pretende construir uma “doutrina latino-americana” com professores e estudantes da região, com o objetivo de fortalecer a independência do continente sul-americano. Durante discurso a alunos de cursinhos populares em São Bernardo do Campo (SP), ele destacou o desejo de que o continente não aceite mais que líderes estrangeiros falem de forma grosseira com o Brasil.
Sem citar nomes, o presidente fez referência indireta ao presidente dos Estados Unidos, destacando que, apesar de ter afirmado anteriormente ter desenvolvido uma boa relação com ele durante a Assembleia Geral da ONU, o país deve manter sua soberania. O discurso ocorre em meio a negociações entre os governos brasileiro e norte-americano para revogar tarifas sobre exportações do Brasil, com expectativa de um encontro entre os dois líderes ainda este ano.
O evento aconteceu no ginásio poliesportivo Adib Moysés Dib, na cidade do ABC paulista onde Lula começou sua trajetória política no Sindicato dos Metalúrgicos. O presidente subiu ao palco acompanhado dos ministros da Educação, Camilo Santana, e da Fazenda, Fernando Haddad, sendo saudado por estudantes com gritos em defesa da educação popular e palavras de ordem como “sem anistia”.
Ao relembrar as universidades criadas durante seus governos, Lula citou a Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), localizada em Foz do Iguaçu (PR), e reforçou a importância de formar uma geração de estudantes comprometida com a autonomia do continente. Segundo ele, a independência da América Latina depende de dignidade e caráter, valores que não podem ser comprados, mas são ensinados pelos pais.
Durante o evento, estudantes exibiram faixa pedindo que Lula indique uma mulher negra para o Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o presidente deve nomear o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Entre outros nomes cotados estão o senador Rodrigo Pacheco e o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas.
Lula também incentivou os jovens a se engajarem na política e criticou a Câmara dos Deputados pela aprovação da PEC da Blindagem, barrada posteriormente pelo Senado. Ele destacou que todos podem alcançar cargos de liderança, e que a mudança na política depende do envolvimento da própria população, especialmente quando leis são criadas para garantir impunidade.
O presidente anunciou ainda a intenção de universalizar o programa Pé-de-Meia para todos os estudantes do ensino médio, afirmando que o investimento de R$ 13 bilhões é destinado à juventude, e não ao mercado financeiro.
Em complementação, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que a prioridade do governo é incluir os pobres no orçamento e cobrar impostos dos mais ricos. Já o ministro da Educação, Camilo Santana, informou que o MEC aumentará recursos para a Rede Nacional de Cursinhos Populares (CPOP), que receberá R$ 74 milhões em 384 cursinhos até o fim de 2025 e R$ 108 milhões em 2026, beneficiando até 500 projetos.
O evento, que começou com uma aula de Física e terminou com Redação, integra a preparação dos estudantes para o Enem, que será realizado em novembro.