Após ruptura política, governo corre para evitar impactos nas votações do fim do ano

José Guimarães (PT-CE), buscou minimizar, nesta segunda-feira (24), o impacto político do rompimento entre Hugo Motta (Republicanos-PB) e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ)

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), buscou minimizar, nesta segunda-feira (24), o impacto político do rompimento entre Hugo Motta (Republicanos-PB) e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ). Ele afirmou que a tensão entre os dois parlamentares não representa uma crise entre o governo Lula e a presidência da Câmara.

Em suas redes sociais, Guimarães declarou que a disputa ocorrida durante a votação do projeto de lei antifacção, extremamente acirrada, não deveria ser interpretada como um conflito institucional entre o Executivo e o deputado Hugo Motta. Segundo ele, o momento agora exige diálogo para organizar as pautas que precisam avançar até o fim do ano legislativo.

O líder do governo também ressaltou que está disposto a conversar com Motta para procurar um ponto de equilíbrio nas votações de interesse do Planalto. Dentro do centrão, Guimarães é reconhecido como uma figura capaz de amenizar tensões entre a direção da Câmara e o Executivo.

O rompimento veio à tona após a Folha de S.Paulo revelar que Motta decidiu encerrar sua relação política com Lindbergh. Conforme relatado ao jornal, o presidente da Câmara indicou que não pretendia manter qualquer tipo de contato com o líder petista. Em contrapartida, Lindbergh classificou a atitude de Motta como precipitada e considerou que, se há algum abalo na confiança entre governo e presidência da Câmara, isso estaria ligado às próprias escolhas de Motta.

A crise entre os dois parlamentares surge em um momento delicado, num cenário em que o governo já enfrenta ruídos simultâneos com o Senado. Apesar da reação dura de Motta, aliados do presidente Lula avaliam que a situação pode ser revertida e que ainda existe margem para recompor o diálogo. Eles consideram exagerada a postura do deputado e acreditam ser possível restabelecer entendimento.

Interlocutores do Palácio do Planalto também afirmam que Lindbergh atuou com o respaldo do presidente da República, especialmente nas pautas que o governo tenta barrar, como a PEC da Blindagem e o projeto de lei antifacção relatado por Guilherme Derrite (PP-SP). Segundo esses relatos, Lula estimulou a disputa política na Câmara para impedir o avanço de propostas contrárias aos interesses do Executivo.

Diante do acirramento, aliados foram mobilizados para tentar reduzir o clima de confronto e evitar prejuízos às votações de interesse do governo, sobretudo com o recesso parlamentar se aproximando, em 23 de dezembro. Assessores próximos ao presidente defendem a necessidade de diminuir a tensão e reconstruir um ambiente de cooperação com a presidência da Câmara.

Nos bastidores, integrantes do grupo político de Motta vinham demonstrando insatisfação com a postura de Lindbergh nos últimos meses, acusando-o de elevar o tom em debates e de tentar associar a imagem da Câmara a práticas negativas diante da opinião pública. Há também queixas de que o petista assumia um papel que extrapolava sua função de líder do PT, comportando-se, segundo eles, como se fosse o próprio líder do governo nas reuniões com a cúpula da Casa.

A votação do projeto de lei antifacção intensificou o desgaste. Aliados de Motta afirmam que houve irritação com a atuação do governo e de ministros na condução do tema, sob a acusação de que estimularam críticas à Câmara e difundiram interpretações equivocadas sobre o conteúdo do texto. Após a aprovação da proposta, Lindbergh declarou à imprensa que havia uma crise de confiança entre o Executivo e o presidente da Câmara.