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Investigação sobre operação no Alemão revela indícios de execuções e mortes violentas

Por Brasil Direto

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encaminhou nesta quarta-feira (12) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório técnico que revela a presença de “lesões atípicas” em dois dos 121 corpos resultantes da megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, no último dia 28 de outubro.

O documento foi elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT), que acompanhou os exames realizados no Instituto Médico Legal (IML). Segundo o texto, foram identificadas duas situações que destoam das demais mortes. A primeira envolve uma vítima com ferimentos característicos de disparo de arma de fogo à curta distância.

A segunda aponta um caso em que a pessoa foi atingida por projétil de arma de fogo à distância, mas também apresentava ferimento por decapitação, provocado por um instrumento cortante ou corto-contundente. O relatório integra os autos da ADPF das Favelas (ADPF 635), processo que trata da letalidade policial no estado.

De acordo com o Ministério Público, todos os 121 mortos eram homens e foram atingidos por projéteis de fuzil, com ferimentos externos e internos típicos desse tipo de armamento. O documento destaca ainda que a idade média das vítimas varia entre 20 e 30 anos.

O texto também descreve que muitos dos mortos apresentavam múltiplas lesões de entrada e saída de projéteis, concentradas nas regiões do tórax, abdômen e dorso, o que, segundo o órgão, é compatível com confronto armado.

Durante as análises, foi constatado que várias vítimas usavam uniformes camuflados, botas táticas, coletes com porta-carregadores e luvas de atirador. Além disso, foram encontrados munições, entorpecentes e celulares nos bolsos de algumas roupas.

O relatório aponta ainda que a maioria dos corpos possuía tatuagens, algumas delas associadas a facções criminosas ou alusivas ao extermínio de policiais.

Ao final do documento, o MPRJ solicita que o STF determine uma análise detalhada das imagens captadas pelas câmeras corporais dos policiais que participaram da operação, a fim de esclarecer as circunstâncias exatas das mortes.

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