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Mercado calmo: dólar estaciona e investidores monitoram Fed e dados do Brasil

Por Brasil Direto

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Dólar segue mercado internacional e sobe para R$ 5,43

O dólar iniciou a semana praticamente sem variações nesta segunda-feira (17). O mercado operava estável enquanto os investidores analisavam o anúncio dos Estados Unidos de reduzir tarifas sobre produtos como café, carne bovina e banana — medida que pode abrir espaço para ganhos ao Brasil em setores específicos de exportação.

Por volta das 9h29, a moeda americana era negociada a R$ 5,2976, sem movimento relevante. Na sessão anterior, o dólar encerrou com leve queda de 0,01%, cotado a R$ 5,296, enquanto o Ibovespa avançou 0,36%, fechando aos 157.738 pontos.

O Banco Central programou para as 10h30 um leilão de linha — operação de venda de dólares com compromisso de recompra — no valor de US$ 1,25 bilhão, destinado à rolagem de contratos que vencem em 2 de dezembro.

No cenário doméstico, os agentes financeiros digerem o resultado do IBC-Br, indicador usado como termômetro da atividade econômica. O índice mostrou recuo de 0,20% em setembro na comparação com agosto, segundo dados dessazonalizados publicados nesta segunda-feira.

O ambiente internacional terminou a semana anterior com maior cautela. Comentários de dirigentes do Federal Reserve reacenderam dúvidas sobre a continuidade dos cortes de juros nos Estados Unidos.

Mary Daly, presidente do Fed de São Francisco e até então considerada uma das vozes mais inclinadas a apoiar juros menores, afirmou na quinta-feira que qualquer decisão futura ainda é “prematura”. Segundo ela, não há posição final tomada, e o debate entre os membros do Comitê seguirá intenso.

Na mesma linha, Neel Kashkari, presidente do Fed de Minneapolis, mudou o tom: meses atrás, dizia considerar certo um terceiro corte de juros até o fim de 2024; agora, vê os sinais econômicos como “mistos”. Para ele, a inflação perto dos 3% e a discrepância entre setores que demonstram força e outros que começam a mostrar pressão tornam a decisão mais difícil.

Susan Collins, presidente do Fed de Boston, reforçou o clima de prudência. Ela avalia que os juros deverão permanecer no intervalo atual, entre 3,75% e 4%, por algum tempo. Collins afirmou que só apoiaria uma flexibilização adicional se houvesse evidências claras de deterioração no mercado de trabalho — cenário que, segundo ela, não está presente no momento.

As falas evidenciam que o dissenso interno no Fed se aprofundou. O próprio presidente da instituição, Jerome Powell, já havia indicado, após a reunião de outubro, que não há consenso para novos cortes, especialmente diante da escassez de dados oficiais durante a paralisação do governo americano.

O chamado shutdown, o mais longo da história do país, foi encerrado na quarta-feira após aprovação e sanção de um pacote de financiamento. A paralisação havia interrompido a divulgação de indicadores essenciais, deixando o banco central com visibilidade reduzida sobre a situação real da economia.

Apesar da reabertura, a Casa Branca alertou que estatísticas importantes — como inflação e mercado de trabalho — podem não ficar prontas antes da reunião do Fed marcada para 9 e 10 de dezembro. Isso divide apostas: 53,6% do mercado projeta um corte de 0,25 ponto percentual, enquanto 46,4% acreditam na manutenção dos juros, segundo o FedWatch do CME Group.

“Até um mês atrás, o corte era praticamente dado como certo. A possibilidade de um Fed mais conservador favorece a remuneração dos títulos americanos, atrai capital estrangeiro e tende a fortalecer o dólar globalmente”, explicou Leonel Mattos, analista da StoneX.

Em paralelo, persiste o receio de que o setor de tecnologia nos EUA esteja inflando uma nova bolha. Empresas ligadas à inteligência artificial passaram por forte valorização, impulsionando o Nasdaq Composite a saltar mais de 50% entre abril e outubro com a promessa de um ciclo prolongado de crescimento.

Nas últimas semanas, porém, o índice tem oscilado, e analistas voltam a comparar o movimento atual ao estouro da bolha das empresas de tecnologia do fim dos anos 1990. Em relatório, especialistas do Goldman Sachs afirmam que os desequilíbrios daquele período podem ressurgir com a continuidade do boom de investimentos em IA.

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