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Mulheres sob pressão: denúncias revelam abusos e maus-tratos contra presas políticas na Venezuela

Por Brasil Direto

O Comitê pela Liberdade dos Presos Políticos (Clippve) denunciou que mais de 180 mulheres permanecem presas por motivos políticos na Venezuela, enfrentando isolamento, maus-tratos, falta de acompanhamento médico e episódios de assédio. A manifestação ocorre no contexto do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, dentro da campanha “Elas não estão sozinhas”.

De acordo com o comitê, essas detentas são alvo de detenções arbitrárias, violência institucional e represálias por expressarem posições contrárias ao governo venezuelano. Muitas delas vivem em celas superlotadas e insalubres, sem acesso a atendimentos ginecológicos e sem itens básicos para lidar com a menstruação, o que, segundo a organização, evidencia a ausência de condições mínimas de dignidade.

O Clippve afirma que a saúde física e emocional dessas mulheres é violada diariamente e destaca que o Estado falha tanto com as que permanecem presas quanto com as famílias que aguardam notícias do lado de fora. Para o comitê, pensar diferente no país tem sido a única razão pela qual muitas delas estão atrás das grades. Ser mulher e presa política, afirmam, significa conviver com negligência médica, carência de água potável, desnutrição e múltiplas formas de violência institucional.

A organização também chama atenção para o sofrimento das mães de presos políticos, que, durante as visitas, relatam revistas vexatórias, agressões e a proibição de entrar com objetos essenciais. O comitê reforça que a violência ultrapassa os muros das penitenciárias e afirma que, neste 25 de novembro, presta homenagem a cada mulher injustamente encarcerada, a cada mãe que enfrenta filas e constrangimentos e a cada família que continua esperando por justiça.

Segundo a entidade, falar sobre presos políticos significa falar sobre mulheres que são ativistas, estudantes, profissionais, mães e defensoras de direitos, todas submetidas a condições desumanas. O Clippve enfatiza que continuará denunciando as violações até que cada uma seja libertada. A organização lembra ainda que a violência de Estado direcionada às mulheres envolve prisões arbitrárias, tortura, desaparecimentos forçados e negação de cuidados médicos, atingindo inclusive idosas, mulheres doentes e cuidadoras.

Dados divulgados pela ONG Justiça, Encontro e Perdão (JEP) apontam que a Venezuela possui atualmente 1.080 presos políticos. Entre eles estão 170 agentes de segurança em atividade, 11 ativistas, 224 membros de partidos, 35 ex-integrantes das forças de segurança, 20 jornalistas e 14 lideranças sindicais. A JEP também registra 145 pessoas sem informações oficiais sobre o paradeiro e 50 cidadãos venezuelanos com dupla nacionalidade.

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