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Acusação de crime de guerra complica ofensiva de Trump no Caribe

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Acusação de crime de guerra complica ofensiva de Trump no Caribe

Um suposto crime de guerra cometido pelos Estados Unidos no Caribe, no início de setembro, tem colocado em xeque a atuação militar norte-americana na região — cujo objetivo declarado de Donald Trump é atingir cartéis que traficam drogas para o país que comanda.

Campanha militar dos EUA

O caso foi revelado em uma reportagem do jornal norte-americano Washington Post, publicada no último dia 28 de novembro. De acordo com a publicação, o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, teria ordenado um segundo ataque contra o primeiro barco alvo EUA no Caribe, com a finalidade de que os todos os náufragos morressem. A embarcação transportava 11 pessoas.

Veja o primeiro ataque:

Inicialmente, o secretário de Guerra dos EUA negou as acusações e classificou a notícia como falsa. Dias depois, porém, a própria Casa Branca confirmou que um segundo bombardeio na mesma ocasião foi ordenado, mas tentou desvinculá-lo de Hegseth.

Durante coletiva de imprensa, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o ataque foi uma ordem direta do almirante Frank Bradley, com a autorização do chefe do Pentágono. Ela, contudo, não deixou claro se havia sobreviventes no barco antes que o mesmo fosse alvo do segundo bombardeio.

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Arte Metrópoles/Gabriel LucasMaduro durante pronunciamento4 de 4

Maduro durante pronunciamento

Jesus Vargas/Getty Images

Crime de guerra

A revelação do caso levantou um debate não só na comunidade internacional, mas também dentro dos Estados Unidos. Isso porque a lei internacional proíbe ataques contra feridos em contextos de conflitos.

Tais ações são proibidas, inclusive, pelo próprio governo norte-americano. Segundo o Manual de Direito da Guerra do Pentágono, ordens para ataques contra combatentes feridos, inconscientes ou náufragos devem ser recusadas, ainda que venham de instâncias superiores.

Logo após a repercussão da reportagem, o Congresso dos EUA abriu uma investigação sobre a operação contra a embarcação no Caribe e do suposto crime de guerra cometido por forças norte-americanas. A medida foi apoiada não só por parlamentares do Partido Democrata, como também por congressistas republicanos ligados a Trump.

Como parte das investigações, o almirante Frank Bradley foi ouvido com legisladores da Câmara e do Senado na quinta-feira (4/12). Segundo a mídia norte-americana, deputados e senadores se dividiram após assistirem a um vídeo do segundo ataque ao barco.

Alas democratas criticaram a ação, e classificaram as imagens como “uma das coisas mais preocupantes” que já viram. Enquanto isso, políticos ligados ao Partido Republicano adotaram a retórica da administração Trump, e chamaram a ação de “totalmente legal e necessária”.

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