A Bugatti revelou uma criação singular para celebrar os 20 anos do Veyron, o hipercarro que redefiniu os limites da indústria automotiva. Batizado de Bugatti F.K.P. Hommage, o modelo é um exemplar único desenvolvido sob a premissa de um cenário alternativo: e se a Bugatti tivesse evoluído o Veyron em vez de substituí-lo pelo Chiron em 2017?
O nome é uma homenagem a Ferdinand Karl Piëch, ex-presidente do Grupo Volkswagen e o “pai” do projeto original do Veyron. Embora a estética remeta diretamente ao clássico de 2005, o chassi e a carroceria são mais modernos, baseados na arquitetura do Chiron Super Sport. O veículo foi encomendado por um cliente europeu anônimo por meio do programa de personalização “Solitaire” da marca e será homologado para as ruas.
O melhor do Chiron

O F.K.P. Hommage abandona os números do Veyron original, que foi lançado com 1.001 cv e alcançou os 1.200 cv, para adotar uma configuração ainda mais atualizada do W16 8.0, assistido por quatro turbocompressores, herdado diretamente do Chiron Super Sport. Este conjunto entrega impressionantes 1.600 cv de potência e um torque de 163,1 kgfm.
A engenharia precisou adaptar o sistema de admissão de ar do motor moderno para funcionar com o design da carroceria antiga. Um novo sistema de indução ram-air foi desenvolvido para garantir a refrigeração e a alimentação necessárias para os 1.600 cv, respeitando as linhas originais do Veyron.

Embora a Bugatti não tenha divulgado os dados exatos de aceleração de 0 a 100 km/h para este modelo específico, a base mecânica sugere números próximos aos 2,4 segundos do Chiron Super Sport. A velocidade máxima é declarada como “acima de 402 km/h”, garantida por um pacote aerodinâmico ativo – que o Veyron não tinha.

Para lidar com essa força, o chassi recebeu atualizações significativas. O sistema de freios utiliza pinças de oito pistões na dianteira, escondidas atrás de rodas que recriam o design de 12 raios do Veyron, mas em medidas atuais: 20 polegadas na frente e 21 polegadas na traseira. Os pneus são os mesmos compostos de alta performance desenvolvidos para o Chiron.

A aerodinâmica mescla o passado e o presente. A clássica asa traseira retrátil do Veyron foi mantida, mas agora trabalha em conjunto com um difusor traseiro maior e flaps ativos na dianteira. Este sistema gerencia o downforce para manter o carro plantado em altas velocidades ou reduzir o arrasto para maximizar a aceleração.
Tributo milionário
O visual externo é uma recriação fiel, porém modernizada, do Veyron. A pintura em dois tons — vermelho sobre prata líquido e fibra de carbono exposta com verniz preto — foi escolhida para combinar exatamente com o Veyron original que o proprietário já possui na garagem. As diferenças visuais mais notáveis estão nos conjuntos óticos de LED, que trazem uma assinatura de luz atualizada.

No interior, o luxo é levado ao extremo com materiais que evocam a história da marca. O couro utilizado é do mesmo lote e especificação do modelo de 2005, combinado com tecidos franceses exclusivos. No entanto, a peça central da cabine é um relógio Audemars Piguet Royal Oak Tourbillon.
Este relógio, avaliado em mais de 600.000 dólares (cerca de R$ 3,5 milhões), exigiu uma solução de engenharia própria. Como é um relógio de corda automática, a Bugatti desenvolveu um suporte motorizado no painel que gira o relógio para mantê-lo carregado quando o carro está parado, utilizando a mesma tecnologia dos expositores da relojoaria suíça. Ao trancar o carro, o mecanismo gira para esconder e proteger a peça.

O Bugatti F.K.P. Hommage é um veículo único e não terá produção em série. O preço não foi revelado a pedido do cliente, mas estima-se que supere largamente os valores dos últimos Chiron Super Sport de produção, devido à exclusividade. O modelo fará sua primeira aparição pública em forma de protótipo no salão Retromobile, em Paris. A versão final será entregue ao proprietário em 2027, devidamente homologada para rodar nas estradas europeias.