O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), realiza nesta quarta-feira (28) a primeira reunião com os líderes de bancada para definir as prioridades legislativas de 2025. A reunião ocorre uma semana antes do retorno das atividades parlamentares e busca estabelecer um novo marco para evitar crises semelhantes às de 2024, ao mesmo tempo em que Motta terá que lidar com as demandas conflitantes entre governo e oposição, especialmente com vistas às eleições de outubro.
A oposição chega à reunião pressionando Motta para criar a CPI do Abuso de Autoridade, especialmente após reportagens que envolveram ministros do STF, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, no caso do Banco Master. Além disso, os opositores vão exigir explicações sobre as cassações dos deputados Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ), ocorridas durante o recesso parlamentar.
Por outro lado, o governo federal traz suas próprias prioridades. A base aliada de Lula busca manter o veto à Dosimetria, que reduziria as penas de envolvidos no golpe de 8 de janeiro, além de barrar novas CPIs que possam atrasar a agenda legislativa. O governo ainda trabalha para que a MP do Gás do Povo, que oferece apoio às famílias de baixa renda, seja aprovada até o Carnaval, além de lutar pela votação da MP do Piso dos Professores ainda em fevereiro.
A disputa também envolve a PEC da Segurança e o PL Antifacção, ambos projetos do governo que enfrentam resistência da oposição, que busca alterar os relatórios aprovados no Senado. Além disso, a regulação da inteligência artificial, tema em debate no STF e no TSE, será discutida durante a reunião.
Outro ponto polêmico será a implementação da tarifa zero no transporte público e a proposta de redução da jornada de trabalho para 5×1, que o governo pretende acelerar por meio de um projeto de lei. O Planalto também dará atenção a propostas sobre a implementação dessas mudanças, com o apoio de lideranças do PT.